Sempre me caracterizaram como uma pessoa tímida, introvertida e pacífica e talvez tenham razão. Sempre me escondi no silêncio, porque ele é o meu escudo de proteção, é no silêncio que me sinto segura, é nele que encontro paz, e é através dele que, muitas vezes, me comunico melhor.
As pessoas costumam confundir o silêncio com arrogância, frieza ou falta de empatia. Pensam, por vezes, que ignoramos de propósito, quando, na verdade, estamos apenas a tentar sobreviver ao barulho do mundo. No final do dia, só nós, as pessoas silenciosas, sabemos o quanto o silêncio também pode doer, porque, apesar de ser abrigo, ele também pode transformar-se em solidão; um vazio que cresce devagar dentro do peito, conforme o tempo passa.
Se pensarmos bem, o silêncio é talvez a forma mais sincera de comunicar, através de um simples olhar, de um gesto discreto ou de uma presença tranquila, conseguimos perceber aquilo que as palavras muitas vezes falham em dizer. Por isso, sim, prefiro ser uma pessoa silenciosa do que falar demais e acabar por dizer coisas que, no fundo, nem sequer sinto.
Sempre me disseram que eu era demais. Que sentia demais. Que era demasiado intensa. E talvez também tenham razão. Sempre demonstrei demais, sempre me preocupei demais, sempre dei mais do que aquilo que recebia. Nunca soube sentir pela metade, nunca aprendi a gostar pouco, a importar-me só o suficiente. Em tudo o que vivo, há sempre profundidade, entrega e verdade.
Ser intensa não é um defeito, embora muitas vezes me tenham feito acreditar que sim. Não é fraqueza sentir muito, nem é erro carregar o coração tão cheio. Talvez o problema não esteja em quem sente demais, mas em quem se habituou a sentir tão pouco.
E eu prefiro continuar assim: intensa, silenciosa e verdadeira. Porque no meio de tanta superficialidade, ser alguém que sente profundamente ainda é uma forma rara de coragem.
Mariana Borges