Para onde olhamos agora? Um mundo tão vasto, tão grande e agora tudo se começa a afunilar. O que está a acontecer?
Todos temos tantas perguntas, tantas dúvidas e o silêncio das respostas começa a ser ensurdecedor. Ficamos cansados e começamos a ficar sem voz, mas não nos podemos calar, não podemos ficar indiferentes e concordar com tanta dor e destruição. É tão tentador olhar para o outro lado e, talvez o façamos, mas ainda assim, temos de procurar um outro lugar onde deitar o olhar que já está assoberbado. Procuramos por um cantinho onde os olhos possam descansar, a mente sossegar e o corpo relaxar. Todos procuramos uma escapatória e, a maioria de nós, pode encontrá-la. Mas qual é a fuga quando nos encontramos encurralados pelo fogo?
Existe em mim uma revolta surda, que grita dentro de mim. Eu sinto-a, mas não a ouço. Talvez prefira não ouvir. De que me serve esta revolta se já não possuo esperança? O mundo é absurdo, sempre foi.
Albert Camus, explica o absurdo ao observar “um homem atacar de arma branca um ninho de metralhadoras”. Todos nós somos esse homem, o mundo é um ninho de metralhadoras. Como poderá a esperança ser compatível com esse sentimento?
Com isto, não digo que devemos baixar os braços, mas talvez seja preciso olhar diretamente para a nossa impotência, a nossa pequenez. No fundo, não passamos de simples observadores do espetáculo do mundo, mas não olhemos para o lado, precisamos de encarar tudo isto, todo este horror. Devemos isso a todas as pessoas que, sob esta atmosfera claustrofóbica, não sabem como fugir, nem porque ficar.
Irene Silva