Dizer “não” devia ser uma das coisas mais simples do mundo, no entanto, muitas vezes, uma palavra tão pequena pode-se tornar numa das decisões mais difíceis. Desde cedo aprendemos a ajudar, a agradar e a estar disponíveis para os outros; quase parece que dizer “não” é sinónimo de egoísmo, quando, na realidade, nem sempre é assim.
Vivemos numa sociedade em que estamos constantemente rodeados de pessoas e expectativas. Espera-se que sejamos bons amigos, bons filhos, bons colegas e que estejamos sempre prontos para ajudar. O problema começa quando tentamos corresponder a tudo ao mesmo tempo; acabamos por aceitar coisas que não queremos, não porque nos fazem bem, mas porque sentimos que é aquilo que esperam de nós.
Também existe uma diferença entre ajudar alguém e colocar sempre os outros em primeiro lugar. Ajudar é importante, mas não deve significar que nos devamos esquecer de nós próprios. Há momentos em que precisamos de parar, descansar ou simplesmente fazer aquilo que queremos, sem termos de justificar constantemente as nossas escolhas.
Além disso, nem sempre quem diz “não” é visto da mesma forma. Há pessoas que são consideradas simpáticas porque nunca recusam nada, enquanto quem estabelece limites pode ser visto como distante ou egoísta. Talvez devêssemos começar a mudar esta ideia, pois ter limites não significa gostar menos dos outros. Significa saber até onde podemos ir.
Também precisamos de aceitar que nem todos vão compreender as nossas escolhas, haverá sempre alguém que ficará desiludido, mas isso não significa que tenhamos feito algo errado. Não podemos viver constantemente preocupados com a opinião dos outros, porque, ao tentar agradar a toda a gente, acabamos por deixar de ser fiéis a nós próprios.
Para mim, aprender a dizer “não” é também aprender a respeitar-nos. Não precisamos de aceitar tudo para provar que somos boas pessoas. Podemos ajudar, ouvir e estar presentes para os outros sem deixar de cuidar de nós.
Talvez o problema não esteja na palavra “não”, mas na importância que lhe damos. Um “não” não precisa de ser uma rejeição, uma discussão ou uma falta de consideração, pode simplesmente ser uma escolha. E todos deveríamos ter o direito de escolher aquilo que queremos, aquilo que conseguimos dar e, principalmente, aquilo que nos faz bem.
Mariana Borges