Enquanto as cidades do Porto e de Lisboa vivem ao ritmo da correria, onde as pessoas parecem estar sempre a correr contra o tempo e onde o barulho nunca desaparece por completo, Vila Real ensina-nos precisamente o contrário. Aqui, o tempo parece andar mais devagar, as pessoas cumprimentam-se na rua, os cafés enchem-se de conversas demoradas e ninguém sente a necessidade de viver constantemente apressado. Se as grandes cidades são feitas de luzes, pressa e multidões, Vila Real é feita de tranquilidade, proximidade e simplicidade.
E é precisamente essa diferença que torna esta cidade tão especial, pois muitos escolhem as grandes cidades porque procuram movimento e novas oportunidades, mas esquecem- se de que, por vezes, é nos lugares mais calmos que encontramos aquilo de que realmente precisamos. Sendo assim, é no meio do silêncio das ruas, da beleza das paisagens e da proximidade com as pessoas que percebemos que Vila Real oferece a sensação de que pertencemos a uma comunidade.
Foi aqui que percebi que uma cidade não precisa de ser enorme para nos fazer crescer; pelo contrário, foi a dimensão acolhedora de Vila Real que tornou muito mais fácil o medo de enfrentar o desconhecido e o medo de estar longe de casa. A Bila, como carinhosamente chamamos, recebeu-me de braços abertos quando tudo era novo e desconhecido, deu-me amigos que rapidamente se tornaram família, ensinou- me a ser mais independente e mostrou- me que sair da minha zona de conforto podia ser o primeiro passo para descobrir quem realmente sou.
Dizem que as cidades são feitas de ruas, edifícios e monumentos; eu acredito que são feitas das pessoas que nelas vivem e das memórias que nelas construímos. A Bila fez-me perceber que não importa a dimensão das cidades, porque até as mais pequenas deixam uma marca profunda e passam a fazer parte de quem nós somos.
E no final disto tudo, digo que sim, ser estudante deslocado não é fácil: é aprender a viver sozinho, a gerir responsabilidades, lidar com a saudade e a valorizar ainda mais os momentos passados com quem ficou em casa. Há dias em que a distância pesa, em que tudo o que queremos é regressar ao conforto da nossa família, mas há também dias em que percebemos que estamos exatamente onde precisamos de estar, porque no final do dia, cada desafio ultrapassado torna-nos mais fortes e independentes.
Mariana Borges