A frase é atribuída a Mahatma Gandhi, o eterno defensor da Índia, no âmbito da luta pela independência do Império Britânico. Surge em contestação à Lei de Talião, que defendia a exata retribuição entre o crime cometido e a pena aplicada, ou seja, “olho por olho, dente por dente”. É igualmente interessante verificar que esta lei surge, pela primeira vez, no código de Hamurábi, um conjunto de leis elaborado pelo rei Hamurábi que ditava as normas jurídicas a seguir na Antiga Babilónia.
Esta crónica não se propõe a ser uma aula de história, mas antes uma reflexão do nosso quotidiano. A verdade é que vivemos numa sociedade cada vez mais competitiva e individualista, que não olha a meios para atingir determinados fins.
Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polaco, desenvolveu o conceito de modernidade líquida, moldada pela fugacidade das relações sociais, económicas e políticas. Segundo o filósofo, tudo é instável e incrivelmente fugaz. Chegou mesmo a afirmar que “vivemos tempos líquidos. Nada é feito para durar”. Não acontecerá o mesmo com as relações humanas?
Onde está o velho lema de “um por todos e todos por um”? Sucumbiu e foi suplantado por “cada um por si e Deus por todos” ou por “cada macaco no seu galho”. Vivemos tempos perigosos, nos quais a maximização do eu se sobrepõe à relevância do nós.
É tempo de refletir sobre aquilo que nos torna humanos. É tempo de apelar à empatia e à “rehumanização” da nossa espécie. Caso contrário, acabaremos todos cegos.
Tiago Delgado