Quando somos crianças, tudo o que queremos é brincar. Não temos grandes preocupações e não fazemos ideia de que o mundo à nossa volta não é tão perfeito como imaginamos. Tudo parece um conto de fadas, mas à medida que crescemos, começamos a perceber que a vida também magoa e que, tal como uma rosa, tem os seus espinhos.
É nesses momentos que começamos a dar mais valor às pessoas que fazem parte do nosso percurso. Quando somos pequenos, porém, tomamos esses momentos como garantidos, sem imaginar que um dia podem deixar de existir.
Acredito que, durante a infância, muitos de nós passaram as férias de verão em casa dos avós. Pelo menos eu passei. As férias na casa dos meus avós maternos eram, na altura, apenas mais umas férias; hoje, olhando para trás, percebo que foram as melhores da minha vida.
Naquele tempo, tinha tudo o que queria e não pensava no quanto aqueles momentos eram especiais. Só mais tarde, com o passar dos anos e com algumas perdas pelo caminho, comecei a dar verdadeiro valor àqueles verões, às tardes passadas com eles, às conversas, às brincadeiras e às pequenas coisas que, na altura, pareciam insignificantes.
Talvez por isso, hoje, olhe para as crianças e pense que muitas não dão o devido valor aos momentos que passam com os avós. Entre telemóveis, jogos e outras distrações, é fácil esquecer que aqueles momentos não vão durar para sempre. Não é culpa delas, porque, quando somos crianças, não temos consciência de que algumas pessoas que fazem parte do nosso quotidiano podem, um dia, deixar de estar presentes.
É só quando crescemos que percebemos que aqueles abraços, aquelas tardes e aquelas conversas tinham muito mais valor do que imaginávamos. E talvez seja esse o problema da infância: só percebemos o quanto fomos felizes quando já não podemos voltar atrás.
Hoje, já não posso recuperar aqueles dias, mas ficaram as memórias. No fim, é isso que sobra: as lembranças de uma infância que vivemos sem saber que, um dia, iríamos sentir tanta falta dela.
Mariana Borges