Direito de tendência

Direito de tendência

Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico.

José Barata-Moura faz 78 anos. É filósofo, compositor, cantautor e um histórico militante do Partido Comunista Português. É professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi reitor dessa mesma instituição entre 1998 e 2006. Sem ele, não existiria “Cravo Vermelho Ao Peito”, “Ai Se A Lua…” e “A Esmolinha Seja Connosco”. De igual forma, nunca teríamos ouvido cantar “Olha A Bola, Manel”, “Joana Come A Papa” e “Fungagá Da Bicharada”.

José Barata-Moura é o herói desconhecido de todas as crianças que nasceram em Portugal nos últimos 56 anos. É a prova de que a acção política e a seriedade do Mundo dos adultos pode bem – e deve – andar de mãos dadas com a alegria, a inocência e aquele sentimento de admiração que só as crianças conseguem ter. E por isso é que lhe devemos toda a nossa imensa gratidão.

José Barata-Moura faz 78 anos. Quase oito décadas dedicadas a ensinar-nos a vida real, através de uma obra que nos acompanha dos primeiros passos até à última corrida. Barata-Moura é mais do que um músico, é mais do que um político; Barata-Moura é, acima de tudo, um sublime mestre da arte de crescer. E olhem que essa não é tarefa fácil.

José Barata-Moura continuará aí, mesmo quando já não continuar. As suas palavras, os seus versos, as suas melodias, tudo isso poderá desaparecer. Mas as suas ideias, essas, continuarão, que não se consegue matar uma ideia. E talvez seja este o maior ensinamento de Barata-Moura. Talvez percebermos o porquê de um guitarrista sem-medo e de um compositor de pueris rimas poderem conviver dentro de um mesmo homem, sem prejuízo da sua firmeza e verticalidade, seja a concretização máxima da sua mensagem: de mãos dadas venceremos!

Guilherme Gomes