Deixem o Natal onde está!

Deixem o Natal onde está!

A Fox Life faz uma coisa muito gira, durante o mês de Julho, que é passar maratonas de filmes de Natal. Nunca é Cinema extremamente autoral ou artístico, mas até sabe bem acompanhar a história de uma senhora que quer participar num concurso de pastelaria que vai haver na semana do Natal, mas que, por causa de um nevão, acaba por ficar presa numa cabana no meio da montanha com um homem de quem até nem gostava particularmente, no início, mas por quem acaba por se apaixonar no final – porque é assim a magia do Natal -, e acabam por ganhar a competição juntos, com uma receita de bolos de creme da falecida avó dele, que por acaso até foi a fundadora do “Prémio Anual de Pastelaria de Nashville”, encerrando-se assim a história com um bonito círculo narrativo.

Eu considero isto profundamente nocivo. Se, por um lado, é verdade que faz bem ao nosso coraçãozinho mole ter um pequeno aperitivo de espírito Natalício numa época em que só se fala de praia, calor, incêndios, festivais de música, férias, a “Volta A Portugal”, o ocasional homicídio, etc.; por outro, também se retira um pouco de força à real época em que só se deve pensar em presentes, em bolo-rei, e no 13º mês.

As saudades são extremamente importantes para que melhor se possa valorizar aquilo de que se sente falta. Todos gostamos de sentir o que é ser criança outra vez, daquela forma que só o Natal nos consegue proporcionar; eu também gosto de comer um bom bife, mas se o fizer todos os dias, deixa de ser especial. Ao banalizarmos uma sensação, ela passa a ser rotina, e o Natal transforma-se em apenas mais um jantar de família, sem qualquer outro propósito, significado ou propriedades curativas.

É por isso que eu acho que, antigamente, o Natal tinha outro sabor. Apenas se começava a ouvir falar nele no início de Dezembro, quando o frio realmente aperta e a Ferrero Rocher decide começar a passar o seu anúncio, ao invés de no final de Outubro, quando as grandes superfícies comerciais começam a perceber que o interesse no Dia das Bruxas está a desvanecer, e é exactamente disso que estamos a precisar! Eu sei que  pensar nessa época mágica nos faz bem, mas talvez seja melhor adiar o Natal só mais um bocadinho…

Dito isto, já comecei a comprar os presentes. Porra lá mais para Dezembro, que nunca mais chega!

Guilherme Gomes