Esta sexta-feira, Marrocos confirmou o estatuto de uma das seleções mais incómodas deste Mundial. Depois do empate frente ao Brasil na estreia, os Leões do Atlas derrotaram a Escócia por 1-0 e assumiram a liderança provisória do Grupo C, num encontro em que a eficácia marroquina se fez sentir logo nos primeiros instantes e em que a formação africana teve de saber sofrer na segunda parte para segurar a vantagem.
Em Boston, a equipa orientada por Walid Regragui entrou em campo determinada a impor o seu jogo e precisou de pouco mais de um minuto para o demonstrar. Aos 71 segundos, Brahim Díaz encontrou espaço entre linhas e lançou Ismael Saibari em profundidade. O avançado marroquino voltou a mostrar toda a sua eficácia e, sem dar qualquer hipótese a Angus Gunn, colocou os africanos em vantagem.
O pior cenário possível para uma Escócia que entrou em campo sabendo que uma vitória a deixaria muito perto de garantir uma presença histórica na fase a eliminar. Steve Clarke procurou condicionar a influência de Achraf Hakimi, atribuindo maiores responsabilidades defensivas a Kieran Tierney, mas a estratégia foi desmontada demasiado cedo e a seleção escocesa demorou largos minutos a recuperar do golpe sofrido.
Com Brahim Díaz como principal referência criativa e Hakimi constantemente projetado no corredor direito, Marrocos assumiu o controlo da partida e foi encostando a Escócia ao seu meio-campo. A vantagem mínima parecia curta para aquilo que se passava em campo. Saibari esteve perto de bisar no início da segunda parte, acertando no ferro, enquanto Bilal El Khannouss obrigou Angus Gunn a uma defesa de elevado nível.
Se a primeira parte foi praticamente de sentido único, a segunda trouxe uma Escócia mais agressiva e determinada em discutir o resultado. Com Scott McTominay mais próximo dos homens da frente e a entrada de Ben Doak a dar maior profundidade ao ataque, os escoceses começaram finalmente a aproximar-se da baliza de Yassine Bounou. No entanto, a seleção escocesa continuou a esbarrar na organização defensiva marroquina e na falta de eficácia no último terço.
Sem o mesmo brilho ofensivo da primeira parte, Marrocos mostrou outra das virtudes que tem caracterizado esta geração. A equipa de Regragui baixou linhas, geriu os momentos de maior pressão e segurou uma vitória que nunca esteve verdadeiramente em risco, apesar da reação escocesa nos minutos finais.
O triunfo deixa os Leões do Atlas na liderança do Grupo C e reforça a ideia de que os africanos podem voltar a ser uma das grandes surpresas da competição. Já a Escócia, apesar da derrota, continua com a esperança de alcançar uma qualificação histórica para a fase a eliminar. Num grupo que conta ainda com o Brasil, cada detalhe pode ser decisivo, e o golo relâmpago de Saibari acabou por fazer toda a diferença.
Autor: Tiago Monteiro
Imagem: @FIFAcom