Viver em círculo

Viver em círculo

Ai, ai, como é interessante.

Sempre vemos a vida como uma estrada longa à frente dos olhos, um caminho reto a seguir, que não reparamos na esfera (literal) bem debaixo dos nossos pés.

Temos presente a ideia de superar obstáculos, de seguir em frente, mas a verdade é que a vida é uma espiral a ser afundada.

Andamos, vivemos um pouco e paramos numa barreira. Saltamos essa barreira, motivados para cima, num outro percurso linear, mas essa curva cegamente desponta para baixo, e esbarramos novamente nesse entrave, até um pouco maior.

De alguma forma o vencemos também, até que outra volta é percorrida e somos obrigados a passar outro desafio.

Sempre motivados, com uma esperança carregada e com o queixo erguido, com o sentimento de que está resolvido, o que passou passou, mas acabamos com o pé preso em um buraco semelhante.

Até ao momento em que essa volta é completamente deambulada, e onde apenas com um pequeno pontapé o estorvo é derrubado, e iniciamos outra rota, igualmente circular.

Igual a Sísifo, preso no eterno sobe e desce.

Nós, pelo menos temos um espaço maior para a nossa escalada. Mas igualmente sem sentido.

Desprendemo-nos de um grupo de pessoas, apenas para encontrar em outro grupo novas versões das mesmas pessoas. Terminamos uma situação com uma pessoa, apenas para encarar uma situação semelhante com outra, e a lista continua…

É o padrão da nossa existência.

Diversos filósofos apontam para o tal absurdo e sem sentido que é o nosso viver. Andamos em círculo, em busca de um propósito, de um mínimo sentido que nos seja favorável, mesmo nem tendo como saber o destino final. De outro lado, temos matemáticos e físicos que nos ensinam em como a vida é uma equação perfeita, sem erro algum. De que existimos consoante uma fórmula. Fórmula essa que contribui para o padrão que parecemos fadados a seguir).

E a pergunta permanece: qual é o objetivo da vida, no final?

Iara Pinto