Na passada terça-feira, 3 de novembro, realizaram-se as eleições intercalares nos Estados Unidos da América, terminaram com uma vitória expressiva do Partido Democrata, que conseguiu controlar duas câmaras do Congresso dos Estados Unidos. Este resultado apresenta uma contrariedade para Donald Trump, assim como para o Partido Republicano que perdeu a maioria tanto no Senado como na Câmara dos Representantes. A votação decorreu a meio do mandato do presidente eleito em 2024, e teve como objetivo a renovação da composição do congresso americano, assim como a renovação de vários cargos estaduais. Contrariamente às eleições presidências, as intercalares não escolhem um novo presidente, mas podem alterar significativamente a capacidade do chefe de Estado de implementar as suas políticas.
A conquista do Senado é particularmente relevante, uma vez que os democratas conseguiram inverter o controlo de várias posições anteriormente ocupadas pelos republicanos. Entre as vitórias destacam-se os resultados no Texas, Ohio, Iowa, Carolina do Sul e Kansas. Na Câmara dos Representantes, o comportamento foi semelhante uma vez que os democratas conseguiram assegurar a maioria, conquistando vários círculos eleitorais anteriormente controlados pelos republicanos. A Associated Press confirmou a conquista das duas câmaras pelo Partido Democrata, embora algumas corridas eleitorais ainda estivessem por concluir.
A economia norte-americana e o aumento do custo de vida foram dos principais temas de debate ao longo das campanhas. A decisão de iniciar a guerra contra o Irão em fevereiro de 2026, também marcou o debate político, nomeadamente devido ao impacto nos preços dos combustíveis. Segundo sondagens à saída das urnas citadas pela Reuters, metade dos eleitores considerou as intercalares uma oportunidade para manifestar oposição ao presidente. Além disso, cerca de 70% defenderam que o Congresso deveria reforçar o papel de fiscalização e equilíbrio dos poderes presidenciais.
Após a divulgação dos resultados, Donald Trump procurou afastar a responsabilidade pela derrota republicana, argumentando que não estava diretamente a votos. Trump afirmou que, caso tivesse integrado os boletins de voto, os republicanos alcançariam uma vitória expressiva. Entretanto, a derrota eleitoral já começou a provocar consequências dentro do Partido Republicano. Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, anunciou que não pretende continuar a exercer funções como líder republicano da Câmara, num contexto de alterações na liderança parlamentar.
A conquista das duas câmaras altera significativamente o panorama político norte-americano para os próximos dois anos. Com o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, o Partido Democrata passa a dispor de uma maior disponibilidade para condicionar a agenda legislativa de Donald Trump, fiscalizar a administração presidencial e dificultar a aprovação de determinadas propostas republicanas. Apesar desta mudança, Donald Trump mantém-se na Presidência até ao final do seu mandato. As eleições intercalares não determinam diretamente quem ocupa a Casa Branca, mas representam um importante indicador da confiança dos eleitores na administração em funções.
Os resultados de 3 de novembro deixam, assim, uma mensagem política clara sobre o atual equilíbrio de forças nos Estados Unidos: os democratas regressam ao controlo do Congresso, enquanto Donald Trump enfrenta uma oposição parlamentar reforçada para a segunda metade do seu mandato.
Afonso Lordelo