Página Solta: Desligar o pensamento para pensar

Página Solta: Desligar o pensamento para pensar

A dupla capaz de criar fortes amizades de curta duração

No passado sábado, 10 de outubro, no Teatro de Vila Real, a dupla criada por Maria Beatriz e Rita Isabel “Página Solta”, oriunda de Braga, realizou um workshop sobre performance e escrita criativa no âmbito do Poetry Slam 2026.

Numa pequena brincadeira entre amigas, surgiram a poesia, o absurdo e, como elas mesmas dizem, a estupidez. Hoje em dia, fazem vídeos para o Instagram e para o TikTok onde proclamam os seus poemas de forma teatral e com um toque artístico tão único.

Nesta iniciativa de “Entre Quem Lê”, Maria Beatriz e Rita Isabel deram um saltinho em Vila Real, onde ensinaram os seus participantes a confiar uns nos outros, ainda que só tivessem duas horas juntos. Jogaram ao jogo das cadeiras tradicional e a um outro jogo das cadeiras onde o único vencedor seria o grupo completo. À semelhança do jogo tradicional, a cada partida uma cadeira é retirada; a única regra é não tocar com os pés no chão durante três segundos. Inicialmente, não é nada de muito desafiante, mas conforme o número de cadeiras vai diminuindo, é necessário que os jogadores se vão quase empilhando uns nos outros.

Após gargalhadas e depois de recuperarem o fôlego, foi-lhes pedido que ocupassem a sala, caminhando e cobrindo todos os espaços vazios, enquanto lhes eram dadas ordens como “salto”, “palmas”, “chão”, que significava tocar no chão, “nome”, em que cada participante dizia, em voz alta, o seu próprio nome, “stop”, que os obrigava a parar, e “continuar”. No decorrer do tempo, cada ordem mudava de sentido, isto é, quando lhes era ordenado o salto, o que eles tinham de fazer, na verdade, era dizer o seu nome e vice-versa; assim como “palmas” passava a querer ordenar tocar no chão e assim por diante. Parece simples, mas exige uma grande concentração!

Antes do momento de contar e escrever histórias, os oito participantes foram divididos em grupos de quatro, em que, com os seus corpos, tinham de imitar figuras, como um avião, uma mesa, um sapato, em apenas dez segundos. Este foi um dos momentos favoritos de Maria Beatriz: “Vi que o pessoal estava mesmo a fazer, sem pensar”.

Nos momentos finais da sessão, sentados num círculo com a dupla artística, inventaram histórias, palavra a palavra. Cada participante dizia uma única palavra, construindo o início, meio e fim de duas histórias um pouco bizarras.

Todas estas atividades levaram ao grand finale. Os participantes organizaram-se também em duplas para escreverem uma história e apresentarem ao grupo. Esta dinâmica gerou várias gargalhadas, conexão e confiança entre desconhecidos.

Em declarações aO’Torgador, Rita Isabel conta sobre a sua experiência: “Gostei muito da entrega das pessoas. Há sempre aquela vergonha inicial, mas acho que toda a gente se deu bastante ao workshop”.

Para a despedida, os inscritos tiveram a oportunidade de experimentar a escrita a quente por dois minutos, que consiste em escrever o que quer que seja durante esses dois minutos seguidos. Segundo Maria Beatriz, esse é um processo que pode ajudar a “desbloquear” a escrita quando parece que as palavras não querem surgir.

Numa experiência descrita pelas artistas com as palavras “dinâmico” e “entrega”, o desejo de cá voltar não fica escondido: “Gostávamos de trazer a performance de 20 minutos, o nosso espetáculo de uma hora, voltar a fazer este workshop. Trazer tudo para aqui”.

Este workshop com participantes dos 14 aos 63 anos produziu muitas gargalhadas, histórias bizarras e, acima de tudo, criou amizades que, apesar de curtas, estavam repletas de confiança e entrega.

Este workshop contou com a organização da Associação Cultural, Cultura Adentro e com a cooperação do Teatro de Vila Real e do Município de Vila Real.

Até à próxima, Página Solta!

Irene Silva