Expresso Político – Semana de 27 de julho a 2 de agosto

Expresso Político – Semana de 27 de julho a 2 de agosto

Uma entrada em massa de migrantes em Ceuta, a investigação ao alegado vandalismo no gabinete de André Ventura e os alertas do Presidente da República sobre o clima político nacional marcam a atualidade. Fique connosco para mais uma edição do Expresso Político.

Após a invasão de milhares de marroquinos a Ceuta e o caos se instalar, as autoridades espanholas estimam que aproximadamente 69.500 migrantes tenham regressado de Ceuta para Marrocos nas últimas 30 horas, após a entrada em massa registada na passada quinta-feira. Segundo fontes policiais citadas pela agência Efe, este número poderá incluir pessoas que já se encontravam na cidade antes da vaga migratória, bem como alguns migrantes que atravessaram a fronteira mais do que uma vez durante a sexta-feira. Entretanto, Espanha iniciou, na manhã deste sábado, a instalação de novas medidas de contenção na fronteira do Tarajal. De acordo com o Ministério do Interior, os trabalhos começaram às 7h50 locais, concretizando o plano anunciado na véspera pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante uma visita a Ceuta. A principal infraestrutura consiste numa barreira pneumática com cerca de 500 metros de comprimento, cuja altura varia entre 30 e 70 centímetros acima da superfície da água, prolongando-se até um metro de profundidade. A estrutura é complementada por uma linha de boias ancoradas, disponibilizadas pela Armada espanhola, e por um canal que permitirá às embarcações da Guarda Civil patrulhar a zona e proteger a barreira. Relativamente ao número de entradas registadas na quinta-feira, o Ministério do Interior aponta para cerca de 50.000 migrantes, enquanto o presidente da cidade autónoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, considera que o total poderá ter atingido os 60.000. As autoridades garantem que a situação esteve tranquila durante a última noite, sem novos registos significativos de entradas irregulares, enquanto continuaram as saídas em direção a Marrocos. Muitos dos migrantes decidiram regressar voluntariamente após o anúncio de um acordo entre Espanha e Marrocos para facilitar as repatriações. A falta de acesso a serviços essenciais, devido ao encerramento de lojas, supermercados e estabelecimentos de restauração em Ceuta, também contribuiu para este movimento de regresso.

Em Melilla, a tensão diminuiu após duas noites consecutivas marcadas por tentativas de entrada irregular. Apesar da tranquilidade registada nas últimas horas, grupos de jovens migrantes exerceram forte pressão em vários pontos da fronteira, especialmente nas imediações do posto de Beni-Enzar, o único acesso terrestre atualmente existente entre Melilla e Marrocos. Durante a noite, registaram-se danos em algumas guaritas de vigilância marroquinas e foi ainda provocado um incêndio junto ao perímetro fronteiriço. Segundo dados divulgados pelas autoridades, na quinta-feira entraram irregularmente em Melilla 130 migrantes, dos quais 84 eram menores de idade. Com estas chegadas, os centros de acolhimento da cidade passaram a albergar cerca de 260 menores, ultrapassando em mais do triplo a capacidade prevista na declaração de contingência migratória.

A Polícia Judiciária está a investigar o alegado vandalismo ocorrido no gabinete do líder do Chega, André Ventura, na Assembleia da República. O incidente foi detetado na manhã desta terça-feira e levou o Serviço de Segurança do Parlamento a ativar de imediato os protocolos previstos para este tipo de situações. Em comunicado, o Serviço de Segurança da Assembleia da República informou que procedeu ao isolamento da área e comunicou os factos à Polícia Judiciária, que assumiu a condução da investigação. A instituição acrescentou ainda que continuará a colaborar com as autoridades sempre que solicitado. André Ventura revelou nas redes sociais imagens do interior do gabinete, onde é possível observar armários abertos e documentos espalhados pelo chão. O presidente do Chega afirma que o espaço foi invadido durante a noite e denuncia o desaparecimento de uma pen USB e de vários documentos que, segundo diz, continham informação relacionada com o primeiro-ministro e com a comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves como diretor da Polícia Judiciária, iniciativa que o partido pretende apresentar. O líder do Chega estabeleceu ainda uma ligação entre este episódio e as declarações feitas na passada sexta-feira, quando afirmou estar na posse de “documentos relevantes” sobre o atual ministro da Administração Interna. Apesar dessa associação, sublinhou que caberá agora à investigação apurar o que realmente aconteceu. Entretanto, imagens do sistema de videovigilância da Assembleia da República mostram o deputado do Chega Francisco Gomes a entrar no Parlamento por volta das 7h00. Segundo informações avançadas pela SIC, o gabinete de André Ventura terá permanecido aberto durante a noite. Confrontado pelas autoridades, o deputado explicou que entrou no gabinete para gravar um vídeo destinado à rede social TikTok. A mesma informação refere que foi uma funcionária da limpeza quem alertou os serviços de segurança para o estado em que se encontrava o gabinete. As rondas noturnas realizadas habitualmente pelas forças de segurança do Parlamento não terão detetado qualquer sinal de intrusão ou perturbação durante a noite. Questionado sobre o caso, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou desconhecer as circunstâncias do incidente, mas considerou que, caso se confirme a existência de atos de vandalismo, estes devem ser investigados e os responsáveis responsabilizados. O chefe do Governo classificou ainda a situação como “inconcebível” numa democracia consolidada, defendendo que o esclarecimento dos factos deve ser célere, sobretudo por terem ocorrido nas instalações de um órgão de soberania. O Ministério Público confirmou a abertura de um inquérito relativamente a este caso.

O Presidente da República, António José Seguro, afirmou este sábado acompanhar com “bastante preocupação” a atual situação política do país. Em declarações aos jornalistas, em Marvão, o chefe de Estado abordou temas como a alegada invasão ao gabinete de André Ventura, a polémica envolvendo o ministro da Administração Interna e os atrasos na divulgação dos resultados dos exames nacionais. Relativamente ao alegado vandalismo no gabinete do líder do Chega, bem como ao processo que envolve o atual ministro da Administração Interna, Seguro recusou comentar investigações em curso. O Presidente limitou-se a expressar o desejo de que os processos sejam concluídos rapidamente e que as respetivas responsabilidades sejam apuradas. O chefe de Estado sublinhou ainda a existência de uma relação de lealdade institucional com o Governo, explicando que as suas opiniões são transmitidas diretamente ao primeiro-ministro nos canais próprios. Reforçou também que cabe aos órgãos de soberania preservar a dignidade das instituições democráticas e o Estado de direito. Questionado sobre a controvérsia em torno do ministro da Administração Interna, António José Seguro manifestou total confiança na Polícia Judiciária, elogiando o trabalho desenvolvido pela instituição e pelos seus profissionais. Sobre os problemas registados na primeira fase dos exames nacionais, o Presidente revelou que o Governo lhe garantiu que a segunda fase está a decorrer sem incidentes. Ainda assim, defendeu ser essencial que todos os alunos recebam as classificações atempadamente, incluindo aqueles que solicitaram a reapreciação das provas, para que possam concorrer ao ensino superior na primeira fase de candidaturas.

Afonso Lordelo