No passado dia 1 de Novembro, o Sporting Clube de Portugal informou, através de comunicado, a “cessação do vínculo laboral” de Rui Borges. Anunciou também que o treinador transmontano não estaria ao leme da equipa no jogo frente ao Shakhtar, não chegando, assim, a cumprir o 100º jogo pelos leões e é Tiago Fernandes que dá o corpo às balas no jogo de transição para… Paulo Fonseca, confirmando assim todos os rumores.
Com isto, Frederico Varandas “abriu os cordões à bolsa” e abdicou de 5 milhões de euros para contar com o treinador português que dirigia o Olympique de Lyon.
Rui Borges foi feliz na primeira (meia) época ao serviço da formação de Alvalade. Talvez por não mudar um ADN que já vinha de Rúben Amorim, talvez por contar com um dos melhores plantéis dos verdes e brancos do séc. XXI, o certo é que conseguiu conquistar a dobradinha. Contudo a partir desse verão de 2025, começa aquela que a meu ver é a decadência do Sporting. Sem Viktor Gyökerese perante um FC Porto avassalador, não foi além de um segundo lugar no campeonato, apesar de terem realizado uma jornada bastante positiva na Liga dos Campeões.
É um facto que sempre foi competente e que se tratava um verdadeiro líder no que toca a defender os seus jogadores e a dar a cara quando nem tudo corria da melhor forma. Contudo, este início de época fez com que todas estas mais-valias não fossem suficientes para o presidente da SAD leonina. Apesar de ter vindo de duas vitórias seguidas, o futebol apresentado era pobre e sem indícios de uma época de grande sucesso desportivo. É importante relembrar que os lagartos ficaram sem grande parte dos pilares do seu plantel, o que inevitavelmente abalou a estrutura.
Frederico Varandas gosta de tomar este tipo de decisões arrojadas, e nesta altura do campeonato achou por bem realizar uma mudança que é uma espécie de “tudo ou nada” para o ataque ao título. Trata-se de uma crença de que este futebol já não era suficiente, mas também uma maneira de transmitir aos adeptos uma mensagem de exigência e ambição. Não sabemos, como é óbvio, se internamente já existia algum tipo de rutura entre ambas as partes, contudo a meu ver parece-me uma decisão incomum e daquelas que certamente deixará todos os Sportinguistas e adeptos de futebol expectantes.
Paulo Fonseca, com boas passagens em Portugal, nomeadamente no Paços de Ferreira, no Porto, e no Braga, onde conquistou uma taça de Portugal, já estava há alguns anos fora da nossa realidade. Com mais experiência, e depois de uma boa estadia em França, certamente viu com ótimos olhos este ambicioso projeto do Sporting e uma maneira de se assumir de vez como um dos melhores treinadores Portugueses.
O treinador natural de Maputo, Moçambique, tem, a meu ver, a frontalidade necessária e traz consigo um à vontade em apostar na formação que certamente agrada à direção leonina. Mostra um futebol ofensivo, sobretudo com o controlo da posse de bola, o que parecia já estar perdido nesta equipa, e aposta em pilares base, como a construção com qualidade desde o primeiro terço. Privilegia, também, uma figura de destaque no meio-campo, aliado ao facto de que as suas equipas são conhecidas por um jogo interior de qualidade, o que poderá trazer novas dinâmicas ao jogo dos leões.
Estas mudanças trazem sempre novas lutas por titularidades, renovações de confiança, e um “novo” Sporting para uma luta mais acesa do campeonato. Frederico Varandas fez a sua aposta, resta apenas saber se Paulo Fonseca está à altura do desafio e que não foi em vão.
Autor: Afonso Pereira
Imagem: SOL