Quando paramos para pensar sobre os nossos direitos, raramente paramos para refletir sobre a sorte que temos por podermos estudar, trabalhar, sair de casa sozinhas ou, simplesmente, poder dizer aquilo que pensamos. Fazemos isto de forma tão natural que, por vezes, nos esquecemos que existem milhões de mulheres no mundo que não podem fazer o básico, que são repreendidas e silenciadas.
Por esta mesma razão, é impossível não mencionar as mulheres afegãs, que deixaram de poder frequentar a escola ou universidade, foram impedidas de trabalhar, perderam a liberdade de circular sem restrições e até tiveram as suas vozes silenciadas. Aquilo que nós consideramos uma rotina, para elas é um sonho impossível de alcançar.
Apesar desta realidade parecer bastante distante para nós, a verdade é que a desigualdade entre homens e mulheres continua presente em várias partes do mundo. Felizmente, em Portugal e noutros países, as mulheres conquistaram direitos fundamentais, mas isso não significa que a igualdade tenha sido totalmente alcançada. Ainda hoje existem diferenças salariais, casos de violência doméstica, assédio e preconceitos que fazem com que as mulheres sintam constantemente a necessidade de mostrar o seu valor.
Por vezes ouvimos que, se a igualdade já foi alcançada, então já não se deve falar no assunto. Muito pelo contrário, pois se existem ainda mulheres ao redor do mundo que foram impedidas de exercerem os seus direitos, então digo-vos que esta luta ainda está muito longe de acabar. Os direitos não podem depender do sítio onde se nasce nem da cultura em que se vive.
Só porque temos estes direitos, não quer dizer que eles sejam permanentes; não nos devemos conformar, pois a qualquer momento podem-nos ser retirados sem darmos conta. Por isso, devemos continuar a lutar não só pelos nossos direitos e deveres, mas pelos de todas as mulheres que não os obtiveram até aos dias de hoje.
NÃO SOMOS OBJETOS!!! Somos seres humanos que merecem ser ouvidos, respeitados e que merecem alcançar todos os objetivos que pretendem. Não devemos ser repreendidas, manipuladas, silenciadas ou tratadas como se a nossa voz tivesse menos valor. Ser mulher nunca deveria ser motivo para perder direitos, liberdade, igualdade e dignidade e por isso mesmo nenhuma mulher deveria viver com medo apenas por existir.
Mariana Borges