O final que esperam delas

O final que esperam delas

“Se a protagonista for uma rapariga, garanta que no final ela termine casada ou morta”: esta frase, que é expressa pelo editor literário (Sr. Dashwood) no filme “Little Women”, deixa uma marca bastante profunda na vida de uma jovem adulta, acabando por retratar uma sociedade retrógrada e que punia a mulher caso esta não aceitasse o destino que a mesma propunha, ou seja, o papel doméstico do casamento.

No filme, a protagonista Jo March mostra-se contra esta ideia, querendo ser uma mulher livre e independente, capaz de escolher o seu próprio caminho. Esta não queria uma vida definida pelo casamento; queria escrever, trabalhar, ter os seus próprios sonhos e, acima de tudo, ter liberdade para decidir quem queria ser.

Durante muito tempo, muitas mulheres foram obrigadas a viver da forma que a sociedade queria, cresceram a ouvir que o casamento era o único destino aceitável e inevitável e que, depois de casar deveriam de cuidar da casa, dos filhos e do marido, e que, por essa mesma razão, ser solteira, escolher uma carreira, ou apenas querer uma vida diferente era quase um crime. Ainda hoje, muitas mulheres sentem que existe uma espécie de relógio a contar cada passo da sua vida: primeiro espera-se que estudem, depois que encontrem alguém, que casem e que, pouco depois, tenham filhos.

Por vezes, esta pressão aparece em perguntas como: “Então quando te casas?”; “Ainda não encontraste ninguém?”; “Não queres ter filhos?”. Podem parecer perguntas inofensivas, mas que fazem com que uma mulher sinta que a sua vida só estará completa quando cumprir aquilo que os outros esperam dela. É por isso que a história da protagonista Jo March continua a ser tão atual, porque apesar de vivermos numa sociedade muito diferente daquela que é retratada no filme, ainda existem expectativas sobre aquilo que uma mulher deve fazer com a sua vida.

Sendo assim, a verdadeira mensagem deste filme é que uma mulher não precisa de terminar casada para que o seu final seja feliz, precisa apenas de ter a liberdade de escrever a sua própria história e decidir, por si mesma, como quer que ela termine.

Mariana Borges