O sonho que um dia tivemos de ser grandes morreu. Foi num insalubre embate Ibérico que as nossas esperanças se reduziram a cinzas, aos 90 minutos e 7 segundos de jogo. Não vou atribuir culpas a ninguém nem tecer opiniões – porque eu não estou em posição de o fazer nem tampouco percebo ou quero saber do desporto-rei para me importar – mas vou, sim, pedir desculpas a alguém a quem era devida esta vitória.
É ingrata a forma como a carreira de Cristiano Ronaldo na Selecção acabou. Sendo alguém que nos deu tanto, que lutou e conquistou sozinho mais do que centenas conseguiram, o que recebeu de nós, ao longo de anos, foi ódio e azedume. E porquê? Porque é que somos incapazes de olhar para um miúdo que não tinha nada e que, com o seu trabalho e força de vontade, conquistou o Mundo, e cuspir-lhe em cima? Não quero saber de clubismos, não quero saber de “técnica”, “talento” ou o que seja; estou-me pouco borrifando para Messis e companhias limitadas. Porque eu sei o valor de Cristiano Ronaldo e o que ele significa para mim e para todo um povo que nele deposita todas as esperanças de ser maior.
Nunca vejo Futebol fora dos campeonatos em que entra a Selecção mas, nas minhas duas décadas de existência, sempre vivi com a certeza de que, a cada dois anos, lá estamos nós num Europeu ou num Mundial. Uma outra constante era a presença de Ronaldo que, mais do que apenas uma figura do Mundo do Futebol, acabou por se transformar num ser mítico que todos conhecíamos quase como se de um membro da família se tratasse. Isso acabou ontem.
A carreira e as conquistas de CR7 não serão apagadas, de maneira nenhuma, por causa de uma minudência destas, mas todos sabemos que o maior sonho dele – apesar de o negar – era mesmo ganhar uma Copa do Mundo por Portugal. Eu também tinha esse sonho, de ver esta era da minha vida chegar ao fim com a merecida Chave de Ouro. Porque desde que sou gente que tenho na ponta da língua a resposta à pergunta “Quem é o maior do Mundo?”. O que será de nós sem ti, Cristiano? Como reagiremos à notícia de que saiu uma convocatória da Selecção em que não consta o teu nome? Quem vai conseguir acartar com o peso da tua braçadeira de Capitão?
Porque esta despedida não tem só o teu nome, mas o de milhões de Portugueses. Este adeus é também ao pequeno Guilherme, em frente à televisão, a explodir de alegria ao ver-te erguer a taça do Euro 2016; é também do grande Guilherme, no dia de ontem, a chorar as mesmas lágrimas que tu. Do fundo do coração, obrigado pelas memórias. Obrigado pelas alegrias, pelas conquistas, pela garra e pela raiva. Obrigado pelas lágrimas. Obrigado por tudo!…
“Oh, Captain! My Captain! You will be missed!”
Guilherme Gomes