No passado domingo, dia 18 de outubro, o desfile anual da Victoria’s Secret regressou a Los Angeles, pela primeira vez desde 2007, onde reuniu novamente algumas das figuras mais emblemáticas da marca. A edição deste ano combinou modelos de renome, estações do ano e atuações musicais, num espetáculo que procura manter a relevância cultural que conquistou ao longo dos anos.
O desfile representou as quatro estações do ano, em diferentes cenários e paletas de cor, com elementos visuais a evocar a primavera, o verão, o outono e o inverno. Esta diversidade estética deu ao desfile uma dimensão visual que foi além da apresentação de lingerie.
A edição deste ano ficou também marcada pelo regresso de modelos que ajudaram a construir a identidade da marca. Bella Hadid abriu o espetáculo, enquanto Adriana Lima encerrou a apresentação. Alessandra Ambrósio assinalou a sua 20.ª participação e Carol Trentini regressou à passerelle após 17 anos de ausência. Já Gisele Bündchen, uma das antigas “Angels” cuja volta o público mais anseia, marcou presença através de um vídeo previamente gravado.
Um dos momentos mais surpreendentes da noite foi a estreia de Kylie Jenner na passerelle da marca, com o regresso do icónico “Fantasy Bra”. Avaliada em 50 milhões de dólares (cerca de 44,6 milhões de euros), a peça foi desenvolvida em parceria com a joalharia Jacob & Co. e integra 4410 diamantes, incluindo um diamante amarelo de 75 quilates. Nos últimos 30 anos, modelos como Adriana Lima, Gisele Bündchen, Heidi Klum e Elsa Hosk usaram a criação, tendo sido para todos uma surpresa a escolha da empresária para o fazer neste ano, em vez de um dos “anjos” (como a marca chama às suas principais modelos).
Outro dos momentos que se destacou foi o regresso da modelo Barbara Palvin, que desfilou apenas seis semanas após ter sido mãe. A modelo húngara, casada com o ator Dylan Sprouse, regressa à passerelle após o nascimento da primeira filha do casal, em setembro. A sua participação acrescentou uma dimensão pessoal ao espetáculo, num momento em que a representação feminina e as expectativas colocadas sobre o corpo continuam a fazer parte da discussão em torno da indústria da moda, principalmente na Victoria’s Secret.
A música voltou também a assumir um papel fundamental. O alinhamento, composto exclusivamente por artistas femininas, reuniu Megan Moroney, Tate McRae, KATSEYE e Megan Thee Stallion. As atuações acompanharam diferentes momentos da apresentação. Como já se tinha visto noutras edições, a passerelle também se transformou num espetáculo musical que reforça a junção entre a moda e a música.
Mais do que apresentar novas propostas de lingerie, a Victoria’s Secret constrói um posicionamento em torno de figuras públicas, imagens marcantes e momentos que rapidamente circulam nas redes sociais. As asas elaboradas, os figurinos exuberantes e a presença de supermodelos continuam a fazer parte da identidade visual da marca.
Ainda assim, o regresso dos elementos clássicos levanta uma questão: como pode a marca preservar a sua identidade sem ignorar a evolução das expectativas do público?
Nos últimos anos, a Victoria’s Secret tem procurado renovar a sua imagem, numa maré de críticas aos padrões de beleza tradicionalmente associados ao desfile. A edição de 2026 volta, assim, a evidenciar o desafio de conciliar a tradição com uma representação feminina que acompanhe as mudanças sociais e as expectativas de uma nova geração.
No final, ficaram as imagens das asas e os nomes que dominaram a noite. Mas, para além do espetáculo, permanece o desafio de uma marca que procura conciliar o seu passado com as exigências do presente.
Carolina Borges