Após uma campanha aquém das expectativas no Campeonato do Mundo realizado na América do Norte, apesar de ser eliminada pelo país que acabou por ser campeão do mundo. Como consequência, fechou-se o ciclo do espanhol Roberto Martínez no comando da armada lusitana, cedendo lugar ao condecorado a nível internacional, Jorge Jesus, que já no passado havia confessado o sonho de assumir a Seleção Nacional da sua pátria.
Por curiosidade, a estreia de J.J. ao comando da seleção teria lugar na casa do clube onde o selecionador nacional já conquistou títulos. No Estádio José de Alvalade, Portugal defrontou uma seleção bastante distante daquela que capitalizou uma campanha memorável, há cerca de 10 anos, alcançando as meias-finais, parada pela armada lusa, que acabou mesmo por ser a campeã do Campeonato da Europa 2016. Uma equipa de Gales que passa um momento de forma muito distinto do que se encontrava nesses tempos, falhou a qualificação para o Campeonato do Mundo, eliminada na última fase de play-off com a Bósnia-Herzegovina já nas grandes penalidades algo que abalou os níveis anímicos desta seleção.
Pelas 19:45, ouviu-se o apito do lituano Donatas Rumsas que indicava o início da “Era Jorge Jesus”, que apesar de apenas retirar João Neves do 11 inicial cedendo lugar a Rúben Neves, relativamente ao último apresentado por Roberto Martínez, era visível a marca de J.J. Já implementada neste grupo mesmo com o curto tempo de trabalho, com diversas diferenças a nível tático, apresentando um 4-4-2 com Bruno Fernandes curiosamente mais encostado ao lado esquerdo ofensivo de Portugal.
Apesar de algumas imprecisões no início do jogo Portugal por volta do minuto 10 começou a assumir o jogo e a criar oportunidades, com alguns cruzamentos a partir das laterais mas sem grande efeito. Até que a meio da primeira parte, depois de uma recuperação em alto terreno por Renato Veiga que com uma troca de passes fluida e eficaz entre os portugueses João Félix recebe a bola de Nuno Mendes, no último terço do terreno de jogo, de fora de área enche o pé e ainda com ressalto no defensor galês a bola acaba no fundo das redes, marcador inaugurado (22’). A tendência manteve-se mesmo depois do golo com Félix e Ronaldo como protagonistas nas oportunidades que Portugal obtinha mas sem conclusão feliz e com isso o resultado não sofreu alteração até ao intervalo.
Voltavam para dentro de campo os 22 que começaram a partida, Gales não se conseguia impor no jogo e os da casa procuravam ampliar a vantagem, e apesar das oportunidades criadas, os jogadores lusos não pareciam conseguir acertar com a baliza, até que ao minuto 59, Ronaldo aparece nas costas da defesa e recebe um passe fabuloso de Bruno Fernandes, remata com o pé mais fraco desfazendo a mancha de Danny Ward e coloca a bola no fundo das redes, vantagem ampliada, bancadas eufóricas ou assim se pensava, golo 980 para o capitão português fica para outro jogo, já que após análise VAR, o lituano reverteu a decisão e anulou o golo por posição irregular do nº7 português, este que ainda voltou a tentar mas ao minuto 67, Jorge Jesus mexeu na equipa com a entrada de Gonçalo Ramos e João Palhinha – assobiado pelos próprios adeptos portugueses no seu regresso a Alvalade a representar a seleção das quinas embora represente a nível de clubes, o eterno rival do Sporting CP, mas que em nada devia justificar este ato – e a saída do capitão português e também de Rúben Neves. Gales finalmente mostrou-se no jogo embora que a partir de um lance caricato, Brennan Johnson surge nas costas da defesa portuguesa e com Diogo Costa pela frente procurou picar a bola, esta bate na barra da baliza e sobra para dois jogadores galeses que se atrapalharam com a bola mas não fosse Rúben Dias com um corte em cima da linha teriam conseguido colocar-se em igualdade no marcador (74’).
O jogo a partir daqui não teve grande história e Portugal conseguiu a vitória pela margem mínima, numa exibição coesa mas sem grande eficácia, tendo em conta que o selecionador, teve apenas alguns dias para trabalhar com a equipa e preparar este jogo, alcançou o objetivo principal.
Segue-se agora um encontro mais desafiador frente à equipa sensação do último Campeonato do Mundo, a Noruega que também venceu a Dinamarca pela margem mínima (3-2), para além de ser uma equipa bem organizada, as baixas temperaturas podem ser um fator fundamental no desfecho do resultado.
Portugal vence e procura defender o título de campeão da Liga das Nações conquistado no ano de 2025 e procura o 3º troféu desta competição na sua história!
Homem do Jogo
João Félix parece destacar-se neste modelo de jogo apresentado por Jorge Jesus e foi sem dúvida quem mais perigo criou na partida, com o seu toque de magia ao qual já nos habituou em outros tempos, marcou o golo que decidiu o encontro, e procura encontrar o seu melhor futebol. Depois de uma época campeã no Campeonato Saudita manteve-se no médio oriente e o futuro da sua carreira é uma incógnita, já que tem qualidade para se destacar na Europa mas preferiu seguir o caminho do seu capitão, tanto no clube como na seleção!
Autor: Tiago Alves
Imagem: CNN Portugal
