15 anos depois os deuses gregos voltam a sorrir para Sébastien Ogier 

15 anos depois os deuses gregos voltam a sorrir para Sébastien Ogier 

O WRC está na Grécia, no clássico rally da Acrópole, “o rei dos pensadores”, aquele que recompensa o piloto mais inteligente e não o mais rápido, e desta vez os deuses do rally sorriram para Sébastien Ogier. 

2026 tem sido uma temporada completamente dominada pela Toyota. Os construtores japoneses chegam à 8ª prova do campeonato mundial de rallys nos três primeiros lugares, Elfyn Evans lidera com uma vantagem de 20 pontos em relação ao segundo classificado, Takamoto Katsuta. 

Os três primeiros classificados iam arrancar por ordem no primeiro dia. Evans abriu a estrada e na primeira tabela classificativa do dia perdia 24 segundos, isto apenas por vir a limpar a estrada, Takamoto também perdia bastante tempo e atrás dele arrancava o homem que a história da sua temporada se resume em duas características, ritmo alucinante e erros graves, Oliver Solberg, que a 5 quilómetros do fim da primeira classificativa teve o primeiro alerta de furo e perdeu 1 minuto e 30 segundos. 

A história do primeiro dia girou em torno da ordem de passagem do dia seguinte, pois quem terminasse em último ia abrir a estrada no sábado, então os pilotos começaram a acelerar. Mas na Grécia há sempre uma pedra algures e podem ter o teu nome cravado, e na quinta classificativa uma tinha o nome do jovem finlandês, Sami Pajari, que ficou com apenas um pneu suplente na classificativa marcada pela 1ª vitória de sempre de Jon Armstrong num troço de um mundial de rallys. Mas o herói do momento foi do 80 ao 0 e teve de trocar a roda na classificativa seguinte ao quilómetro 19, perdendo um total de 4 minutos. Solberg que desde a segunda classificativa tinha ficado afastado dos lugares dianteiros e lutava agora por uma posição de arranque melhor no sábado saiu da estrada e ficou preso num banco de terra quando estava a apenas 2,6 segundos da 8ª posição. O primeiro dia terminou com 2 Ford Puma e 2 Hyundais nos primeiros 5, e Neuville avança para sábado em primeiro lugar, 9 segundos à frente de Ogier. 

No segundo dia as circunstâncias eram mais favoráveis para o líder do campeonato, Elfyn Evans, que tinha agora 5 carros a partir à sua frente, limpando a estrada e criando uma trajetória. A manhã de sábado foi muito mais calma, apenas com destaque para o galês e o japonês da Toyota a tentarem recuperar as posições perdidas no dia anterior e Ogier a encurtar a distância perante Neuville para 3,7 segundos. Tudo se mantinha igual até aos últimos dois troços que iam definir a ordem de partida do super sunday. Fourmaux mantinha o terceiro lugar e começava a pensar numa estratégia para atacar os primeiros lugares, mas de um momento para o outro já não precisava de pensar mais nisso, na 12ª classificativa teve um furo e perdeu 2 minutos para Katsuta. Nesta última classificativa do dia o foco era, mais uma vez, reduzir distâncias e foi nisso que se resumiu o rally do líder do campeonato, até ao momento, mas os Deuses do rally não estavam do seu lado e teve de parar para trocar um pneu após um furo. Esta classificativa ficou ainda marcada por mais uma infelicidade de Jon Armstrong, que quando saiu da zona de controle e já toda a gente pensava que nada de mal podia acontecer, chamas começam a irromper do Ford Puma e foi necessária intervenção imediata. 

Neuville já havia vencido este rally 2 vezes e Ogier apenas 1 em 2011, ainda no ínicio da sua carreira, e em 2026 os dois campeões voltam a disputar a vitória nesta última edição do rally da Grécia Acrópole, na era rally 1. A caça aos pontos no super-sunday era gigante e Elfyn Evans entrava para este dia a precisar de todos os pontos possíveis, após o furo nos últimos quilómetros no dia anterior, mas nada tinha mudado e mais um alerta de furo para o galês. A intenção de Neuville era manter a vantagem e ganhar, mas a margem era muito curta e o tempo não estava do seu lado e a liderança desapareceu e caiu nos braços do experiente Ogier, na 14ª classificativa, que fica com vantagem de 1,3 segundos. Fourmaux venceu o primeiro troço do domingo e liderava a classificação do super-sunday, mas no segundo troço teve mais um furo.  

Thierry Neuville procurava recuperar o tempo que perdeu relativamente ao francês e começava a arriscar mais, mas isto custou-lhe caro pois um dos pneus não aguentou e furou. Ogier que vinha atrás e não sabia do mais recentemente furo do belga vinha a dar tudo, focado em ganhar o máximo de pontos pela vitória, o máximo de pontos no super domingo e também na powerstage, e acabou por vencer a classificativa aumentando a distância para 54 segundos. Na Powerstage Formaux teve o seu terceiro furo do fim-de-semana, enquanto o compatriota da Toyota venceu a prova. 

Os Deuses gregos finalmente estavam do lado do 9 vezes campeão do mundo que venceu então o seu 2º rally da Grécia e conquistou o máximo de pontos possíveis, 25 pela vitória no rally, 5 do super sunday e 5 da powerstage. No campeonato de condutores a Toyota ocupa os 5 primeiros lugares com Ogier a subir para terceiro, e escusado dizer que lidera também o campeonato de condutores e vê a sua vantagem aumentar para 416 pontos, 140 a mais que a Hyundai. 

Autor: Paulo Ribeiro

Imagem: @OfficialWRC