The derby of the eternal enemies

The derby of the eternal enemies

O dérbi dos eternos inimigos, também conhecido como a “Mãe de todas as batalhas”, é a maior rivalidade da Grécia e certamente uma das maiores do mundo, e coloca frente a frente o Olympiacos F.C e Panathinaikos F.C. A rivalidade conta com mais de uma dezena de jogos suspensos devido a confrontos em várias modalidades, e volta a entrar em ação neste domingo, dia 10, num encontro a contar para Superliga grega. 

Esta rivalidade transcende as 4 linhas e pode ser rastreada pelas diferenças regionais, culturais e até sociais. O Panathinaikos foi fundado a 3 de fevereiro de 1908, em Atenas, por Giorgos Kalafatis, inicialmente como Podosfairikos Omilos Athinon (Clube de Futebol de Atenas), era considerado o representante clássico da alta classe e da antiga sociedade ateniense da capital grega. Já o Olympiacos foi fundado a 10 de março de 1925, na cidade portuária de Pireu, por empresários portuários, incluindo os irmãos Andrianopoulos, que lhe conferiram uma identidade ligada à força do trabalho dos operários, atraindo assim adeptos das áreas operárias vizinhas. 

George, fanático do Panathinaikos, que administra a comunidade online greenwebfans.com, refere que a rivalidade é muito fácil de se descrever, “Nós somos humanos e eles são a sujeira, eles cospem, a voz já rouca de gritar antes da partida. Todos os adeptos do Panathinaikos sabem que são superiores, mesmo quando conhecem um “Gravo” aos cinco anos.” (“Gravos” significa anchova e é como os adeptos do Olympiacos são conhecidos). 

Makros, ex-jogador do Olympiacos, descreveu também de forma intensa a perspetiva de um adepto do clube de Pireu, “Nasci odiando o Panathinaikos porque o meu pai e o meu avô os odiavam. Nascemos numa classe baixa e não somos tão ricos como eles, essa é a diferença entre eles e nós.”.  Esta diferença social entre as pessoas das terras natais dos dois clubes ajudou a aumentar o ódio entre os aficionados. 

O primeiro encontro entre as duas equipas foi logo no ano de inauguração do Olympiacos, a 28 de junho de 1925, num amigável que terminou 3-3. Em abril de 1933 os rivais disputavam a meia-final da Taça da Liga, mas esta teve de ser interrompida no intervalo devido a uma tempestade. Depois disso os adeptos envolveram-se em confrontos e este confronto é referido como uma das primeiras polémicas entre adeptos.  

O tom estava estabelecido e a raiva fervilhava em cada adepto, mas a segunda guerra mundial acalmou o ambiente.  No entanto, em 1949 o ressentimento explodiu quando o árbitro mandou jogar enquanto um jogador do Olympiacos era pisoteado enquanto estava inconsciente. Irritados, os adeptos decidiram fazer justiça pelas próprias mãos. Invadiram o campo e agrediram dois jogadores do rival obrigando-os a serem hospitalizados. 

A partir daqui a história ficou sempre marcada por atos de violência e derramamento de sangue. Em 1962, na final da taça da Grécia, a tensão dentro do campo ficou evidente desde cedo. Na primeira parte foram expulsos 3 jogadores, o árbitro teve ainda que se abrigar dos projéteis e suspendeu a partida 2 vezes só na primeira parte. Após 66 minutos da primeira parte e 35 de intervalo as equipas voltaram ao relvado, mas devido à escuridão o árbitro viu-se obrigado a terminar a partida. A federação grega para evitar mais desacatos decidiu não marcar um segundo jogo e o futebol grego terminou esse ano sem um vencedor. 

A rivalidade é tão forte que não se resume apenas ao futebol. Em 1995 Giorgos Karnezis, adepto do Panathinaikos foi esfaqueado depois de um jogo de basquetebol frente ao Olympiacos.  

O século XX. mostrou ao mundo o ódio entre os dois clubes, mas o século XXI só trouxe mais escuridão à rivalidade. A março de 2007, antes de um jogo de voleibol feminino, dois grupos de adeptos encontraram-se para uma luta previamente marcada. Michalis Filopoulos recebeu múltiplos ferimentos e não resistiu. Dez meses depois um adepto foi mortalmente esfaqueado e outro ficou ferido após a vitória do Olympiacos por 4-0. 

Em 2009, durante um jogo de basquetebol, os adeptos do Olympiacos lançaram um sinalizador e vários objetos em direção ao banco do Panathinaikos, sendo necessário a intervenção da polícia de choque.  

A 18 de março de 2012 o jogo foi abandonado aos 82 minutos, quando o Olympiacos vencia por 1-0. Os adeptos do Panathinaikos invadiram o campo e envolveram-se em confrontos com a polícia. 57 pessoas foram detidas e 20 presas, 9 agentes ficaram feridos e foi ainda a necessidade da intervenção de vários camiões dos bombeiros devido a incêndios espalhados por várias secções do estádio. 

Apesar da evolução dos anos os confrontos não têm perdido a sua intensidade e num passado relativamente próximo temos tido bastantes acontecimentos a serem documentados. Em 2019, durante um jogo de futebol alguns adeptos de futebol invadiram o campo e tentaram se aproximar do banco do Olympiacos. Seguiram-se confrontos com a polícia e o árbitro viu-se obrigado a terminar a partida aos 70 minutos. A 7 de dezembro de 2023, durante um jogo de voleibol feminino, adeptos do Olympiacos saíram do pavilhão e atacaram agentes da polícia com pirotecnia. O polícia Giorgos Lyggeridis foi atingido por um sinalizador e morreu a 27 de dezembro.  

A rivalidade tem estado um pouco menos presente nos últimos anos devido à hegemonia do Olympiacos, no entanto com a “ressurreição” do Panathinaikos a competição tem sido renovada. No entanto nada apaga os números devastadores de polémicas que esta rivalidade causou ao longo dos anos. 

O dérbi dos eternos rivais regressa este domingo, dia 11, no estádio Georgios Karaiskakis, casa do Olympiacos. O encontro a contar para a sexta jornada traz o Panathinaikos na frente da tabela com 15 pontos e ainda nenhuma derrota nesta época, enquanto a equipa da casa está em quarto lugar com 10 pontos.  

Autor: Paulo Ribeiro

Imagem: CNN