Quem era o Pelé Palestino? Também conhecido como “Black Pearl”, “Gazelle” ou até mesmo “Henry Palestino” era o melhor jogador da história do futebol palestino. Formado no M.K. Al-Shatee, passou por clubes locais como o Al-Am´ari na época 2013/14, voltou ao M.K. Al-Shatee na época 2014/15 até à época 2015/16, mas foi no Gaza SC onde mais tempo ficou. Tendo ficado 7 épocas até acabar a carreira no clube que o formou em 2023/24. Suleiman Al-Obeid ainda jogou 24 vezes pela sua seleção nacional e marcou mais de 100 golos ao longo da sua carreira, tendo previsto continuar a marcar até aos seus 50 anos. Nos seus últimos anos Suleiman tinha como objetivo tornar-se treinador, com esperança de treinar as futuras gerações a poderem competir para além das fronteiras da faixa de Gaza.

Mas infelizmente, devido ao genocídio do estado de Israel em Gaza, teve de abandonar a sua vida futebolística. Após a escassez de alimento na sua casa, Suleiman viu-se obrigado a recorrer a camiões de ajuda humanitária. “Ele sentia vergonha de lá ir. Tinha de entrar em armadilhas mortais para alimentar os nossos filhos. Ele tinha a certeza que seria morto lá e recusava-se a levar o nosso filho, Naseem, de 17 anos com ele. Descrevia balas a assoviar ao pé da sua cabeça como chuva. Os sortudos foram os que escaparam com vida, mais sortudo foram quem saiu com algumas refeições nas mãos.” Testemunhou Doaa, mulher de Suleiman ao Middle East Eye, portal de notícias digital do Reino Unido. Ainda de acordo com Doaa os quadricópteros de Israel abriram fogo de maneira deliberada sobre as pessoas á espera da comida, no dia onde Suleiman foi assassinado.
A conta oficial da UEFA no Twitter prestou uma homenagem após a sua morte, mas sem dizer o motivo da tal. Mohammed Salah, jogador egípcio, respondeu ao perguntar ironicamente “Podem nos dizer como, onde e porque morreu?”. Já em outubro de 2023, Salah tinha-se pronunciado sobre o genocídio que está a acontecer na Palestina, pedindo que se autorizasse a entrada de ajuda humanitária no território e pelo fim dos massacres. Ambas as declarações geraram muitas reações mediáticas, mas não obterem nenhuma resposta por parte da UEFA.
Mais de 96% da população de Gaza faz face a uma insegurança severa de alimento, colocando Gaza na Fase 5 (catastrófico) da escala IPC, de acordo com as Nações Unidas. A Associação de Futebol Palestina declara que Israel já matou por volta de 800 atletas de várias modalidades, tendo destruído pela mesma ocasião mais de 270 instalações desportivas. Consequência de uma política de aniquilação de todos os aspetos da vida na faixa de Gaza por parte de Israel. Esses números enquadram-se nos mais de 75 000 palestinos assassinados em Gaza, desde o início do genocídio em outubro de 2023. Com uma estimativa de mais 8000 pessoas enterradas sob os escombros e 3000 desaparecidas.
Uma investigação independente das Nações Unidas, publicadas no site OHCHR, declara que crianças continuam a ser assassinadas e feridas mesmo após o cessar-fogo. Desrespeito este continuo por parte de Israel para com o acordado e as leis internacionais. O estado de Israel atacou mais países que qualquer outro em 2025. Atacando pelo menos 6 países diferentes, tais como Palestina, Irão, Líbano, Catar, Síria e Iémen. Tendo também atingindo águas territoriais da Tunísia, de Malta e da Grécia, quando atacou as flotilhas humanitárias que navegavam em direção a Gaza, de acordo com o ACLED.
Gianno Infantino, presidente da FIFA tem várias nacionalidades, suíço, italiano e libanês, trazendo mais um motivo para as pessoas esperarem uma reposta e medidas impostas. Mas nem ele nem Aleksander Čeferin, presidente da UEFA tomaram qualquer tipo de medidas ao encontro de Israel. Ainda continuamos a ver clubes israelitas nas competições europeias, mesmo não fazendo parte do continente europeu. Também a seleção de Israel continua a disputar jogos internacionais, sem qualquer tipo de sanções. Diferente do que aconteceu com a Rússia, em 28 de fevereiro de 2022, somente 4 dias após o início da invasão a Ucrânia.
No dia 5 de dezembro de 2025, durante o sorteio para o campeonato do mundo, Gianno Infantino presenteou Donald Trump, presidente dos EUA, com o Prêmio da Paz da FIFA. Gerando muitas críticas, nomeadamente porque Trump é um aliado de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel. O que adicionou mais uma camada há já várias críticas feitas aos atos, ou melhor, falta de atos da UEFA e da FIFA.
Assim segue completamente impune o estado genocida de Israel, a atacar os seus vizinhos sem qualquer tipo de sanções. Nem FIFA, nem UEFA, nem ONU, nem Tribunal Internacional de Justiça, nem qualquer país no mundo dá um passo em frente e impõe uma sanção. Após 3 anos de genocídio, o estado da Palestina já praticamente desapareceu do mapa, e o Líbano parece ser a próxima vítima da sede de sangue de Netanyahu.
Autor : Marco Leite