As pautas dos exames nacionais, a aprovação da “lei da burca”, Chega pede demissão de Luís Neves, Trump acusa China e ICE suspende operações, são os temas em destaque do Expresso Político desta semana.
O tema que marcou a semana foi a afixação das pautas dos exames nacionais, onde foram divulgadas em várias escolas com algumas classificações assinaladas como “suspenso”. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, reconheceu falhas na primeira fase dos exames, incluindo problemas informáticos e classificações incompletas, e anunciou uma auditoria para apurar as irregularidades. O líder do PS, José Luís Carneiro, criticou o ministro da Educação por não assumir responsabilidades pelos problemas nos exames nacionais, considerando que Fernando Alexandre “deixou de ser” ministro. O socialista apelou ainda ao primeiro-ministro para esclarecer quantos alunos têm classificações suspensas e garantir que nenhum será prejudicado no acesso ao ensino superior. Carneiro alertou também que o elevado número de pedidos de revisão de provas poderá agravar os problemas já registados no processo de correção dos exames.
Ainda no Parlamento, foi aprovada a chamada “lei das burcas”, que proíbe a utilização de roupas que ocultem o rosto em espaços públicos por motivos de segurança. A proposta foi aprovada com os votos favoráveis do Chega, PSD, IL e CDS-PP, enquanto PS, Livre, BE, PCP e JPP votaram contra e o PAN se absteve. A lei prevê multas entre 150 e 3.000 euros, consoante a gravidade da infração, cabendo às câmaras municipais a aplicação das coimas.
O líder do Chega, André Ventura, enviou uma carta ao primeiro-ministro a pedir a demissão do ministro da Administração Interna, Luís Neves, considerando que a sua permanência no cargo compromete a credibilidade do Governo e das instituições. Ventura apelou a Luís Montenegro para esclarecer a situação e agir rapidamente, afirmando que a inação poderá pôr em causa a confiança nas instituições democráticas. Na carta, o presidente do Chega recorda a demissão do antigo ministro Miguel Macedo, que deixou o cargo em 2014 durante uma investigação da qual viria mais tarde a ser absolvido, apontando esse caso como um exemplo de responsabilidade política. Ventura refere ainda a recente reunião entre o Presidente da República e António José Seguro como um dos fatores que reforçou a sua posição sobre a necessidade de afastar Luís Neves.
Já no plano internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de ter levado a cabo “a maior violação de dados eleitorais da história”, alegando que Pequim teve acesso aos dados de cerca de 220 milhões de norte-americanos em 2020. Segundo Trump, documentos recentemente desclassificados revelam que o governo chinês procurou recolher informações como nomes, contactos, preferências partidárias e outros dados sensíveis, numa tentativa de enfraquecer a sua administração e influenciar as eleições presidenciais de 2020. Durante um discurso na Casa Branca, Trump afirmou que a China pretendia impedir a sua reeleição por considerar que a sua presidência representava uma ameaça aos interesses chineses. No entanto, os documentos divulgados indicam apenas que os serviços de informações norte-americanos concluíram que Pequim tinha intenção e capacidade para interferir no processo eleitoral, mas optou por não o fazer para evitar prejudicar as relações entre os dois países.
O ICE, a agência de imigração e controlo aduaneiro dos Estados Unidos, suspendeu temporariamente a maioria das operações de fiscalização nas estradas após dois tiroteios fatais envolvendo agentes da instituição, nos estados do Texas e do Maine. A decisão afeta as equipas responsáveis pela detenção e deportação de imigrantes em situação irregular e deverá durar cerca de duas semanas, segundo o responsável pelas políticas fronteiriças, Tom Homan, que garantiu tratar-se de uma “pausa temporária” e não de uma alteração da política de imigração. A suspensão surge depois da morte de dois imigrantes durante operações do ICE. No Texas, o mexicano Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, foi morto após, segundo a agência, tentar fugir e embater num veículo das autoridades. A família contesta esta versão e afirma que o homem foi surpreendido por carros não identificados. Já no Maine, o colombiano Joan Sebastian Guerrero, de 26 anos, morreu depois de um agente disparar, alegadamente por recear pela segurança pública. O caso gerou críticas, com testemunhas a descreverem Guerrero como um trabalhador dedicado e sem historial de violência.
Lara Sousa