O agravamento da crise nos exames nacionais com acusações de fraude, a polémica em torno das obras de Luís Neves, ministro da Administração Interna e a nova escalada de bombardeamentos militares entre os Estados Unidos e o Irão no Estreito de Ormuz são os temas em destaque.
O processo de classificação eletrónica dos exames nacionais do ensino secundário gerou esta semana uma forte crise no setor da educação. A Federação Nacional dos Professores anunciou que vai apresentar uma queixa na Procuradoria-Geral da República para exigir um inquérito à fiabilidade da plataforma digital utilizada. O sindicato contestou duramente o anúncio do pagamento de horas extraordinárias feito pelo porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, classificando a medida como um “prémio” que não resolve os abusos nos horários dos docentes. A polémica subiu de tom na esfera política com o Partido Socialista, pela voz de José Luís Carneiro, a falar abertamente na “existência de fraude” e a exigir explicações imediatas ao Primeiro-Ministro. Em causa estão denúncias recolhidas pela SIC Notícias que apontam para a convocatória de urgência de professores ao fim de semana para corrigir centenas de provas fora das suas disciplinas e a integração de membros do Instituto de Educação para acelerar as avaliações em contrarrelógio, numa manobra que contornou os habituais canais do Júri Nacional de Exames e quebrou os princípios de anonimato dos testes.
Ainda no plano nacional, o Governo enfrenta crescente pressão política devido às investigações que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves. A polémica, levantada inicialmente pelo semanário Nascer do Sol, prende-se com a recusa do governante em apresentar os comprovativos de pagamento relativos a obras realizadas por um empreiteiro numa propriedade sua em São Teotónio, Odemira. O caso gerou fortes críticas da oposição, tendo o Chega enviado dez perguntas formais à ministra da Justiça a exigir esclarecimentos urgentes. O líder do partido, André Ventura, atacou frontalmente o ministro da Administração Interna, acusando-o de recusar o escrutínio público e de colocar em causa a transparência democrática ao ocultar eventuais conflitos de interesses privados.
Já no plano internacional, o Médio Oriente voltou a ser palco de uma violenta escalada militar direta. Após Teerão ter declarado formalmente o fim da era dos acordos unilaterais, as forças militares dos Estados Unidos lançaram este domingo uma nova vaga de bombardeamentos aéreos na região. Os ataques norte-americanos tiveram como alvo estratégico diversas embarcações e infraestruturas logísticas situadas ao longo do litoral iraniano e no Estreito de Ormuz. Embora as autoridades locais em Teerão confirmem a ocorrência de múltiplas explosões na costa, as agências estatais indicam que, para já, não há registo de vítimas mortais. As últimas horas continuam marcadas por versões contraditórias entre Washington e Teerão, enquanto o Presidente norte-americano Donald Trump assegura que o Estreito de Ormuz permanece totalmente aberto ao tráfego comercial e protegido pelas suas forças, o Governo do Irão insiste que a circulação na rota marítima está completamente inviabilizada.
Francisco Timóteo