
TIAGO PETINGA/LUSA
No dia 24 de maio, fez-se história na final da Taça de Portugal. O Torreense venceu o Sporting por 2-1, no Estádio Nacional, perante cerca de 37 mil pessoas, conquistando pela primeira vez a prova rainha do futebol português.
O Torreense, clube sensação da competição, chegava à final depois de eliminar Correlhã, Oliveirense, Lusitânia de Lourosa, Casa Pia, União de Leiria e Fafe. A equipa de Torres Vedras encontrava-se ainda a disputar o play-off de acesso à Primeira Liga, precisamente frente ao Casa Pia, depois de terminar a II Liga no terceiro lugar, apenas atrás de Marítimo e Académico de Viseu.
Para esta final, o treinador Luís Tralhão promoveu apenas duas alterações no onze inicial: saíram Alejandro Alfaro e Musa Drammeh, entrando Costinha e Kevin Zohi.
Do outro lado, o Sporting chegava ao Jamor após vencer o Gil Vicente para o campeonato, resultado que garantiu aos leões o segundo lugar da Liga Portugal e a qualificação direta para a fase de liga da Liga dos Campeões, beneficiando também de resultados favoráveis em Inglaterra. Rui Borges manteve o mesmo onze inicial.
O ambiente de festa começou ainda horas antes do apito inicial, com milhares de adeptos a concentrarem-se nos arredores do Estádio Nacional, cumprindo uma das maiores tradições do futebol português.
Dentro das quatro linhas, o Torreense entrou melhor na partida. Logo aos quatro minutos, na sequência de um canto, a bola sobrou ao segundo poste para Kevin Zohi inaugurar o marcador e colocar a equipa de Torres Vedras em vantagem.
Aos 15 minutos, Gonçalo Inácio viu cartão amarelo depois de travar um contra-ataque conduzido por Zohi, num lance bastante contestado pelos jogadores do Torreense.
O Sporting respondeu aos 33 minutos, com Gonçalo Inácio a colocar a bola na área para Pedro Gonçalves, que rematou por cima da baliza defendida por Lucas Paes.
Já aos 41 minutos, Pedro Gonçalves assistiu Luis Suárez, que rodou sobre o defesa adversário antes de obrigar o guarda-redes brasileiro a uma defesa apertada.
A igualdade surgiu aos 54 minutos. Maxi Araújo encontrou Luis Suárez, que conseguiu fugir à marcação de Stopira antes de bater Lucas Paes e relançar a final.
Após o empate, o Sporting assumiu o controlo da partida e passou a jogar maioritariamente no meio-campo adversário.
Aos 64 minutos, Geny Catamo ainda colocou a bola na baliza após cruzamento de Maxi Araújo, mas o lance foi invalidado por fora de jogo.
Cinco minutos depois, Rui Borges mexeu na equipa leonina, retirando Morita e Vagiannidis para lançar Diomande e Luis Guilherme. Do lado do Torreense, Álex Alfaro substituiu Luis Quintero.
Aos 78 minutos, o Torreense voltou a criar perigo, com Javi Vásquez a cruzar tenso para a área, obrigando Rui Silva a manter-se atento.
Já aos 82 minutos, Luis Suárez rematou sem ângulo por cima da baliza adversária, antes de Hjulmand obrigar Lucas Paes a nova intervenção importante.
Sem mais golos no tempo regulamentar, a final seguiu para prolongamento, numa altura em que ambas as equipas já demonstravam sinais de desgaste físico.
Aos 94 minutos, o Torreense chegou novamente ao golo, por Diadié, mas o lance foi anulado por fora de jogo.
O momento decisivo surgiu aos 110 minutos. Seydi escapou à marcação e foi derrubado por Maxi Araújo dentro da área, levando o árbitro a assinalar grande penalidade e a expulsar o jogador sportinguista.
Chamado à conversão, Stopira, central de 38 anos recentemente convocado pela seleção de Cabo Verde para o Mundial, não desperdiçou e fez o 2-1, provocando a explosão de alegria dos adeptos torreenses.
Até ao apito final, o Sporting tentou reagir e arriscou tudo no ataque, chegando mesmo a deixar apenas dois jogadores em posições defensivas.
Nos descontos do prolongamento, o Torreense esteve perto do terceiro golo. Após um canto ofensivo do Sporting, incluindo a subida do guarda-redes Rui Silva à área adversária, Seydi recuperou a bola num contra-ataque, mas falhou de baliza aberta.
O resultado não sofreria mais alterações e o Torreense confirmou uma conquista histórica, tornando-se a primeira equipa da II Liga a vencer a Taça de Portugal.
O clube de Torres Vedras conquista assim o primeiro grande troféu nos seus 109 anos de história e ganha também motivação extra para o derradeiro encontro do play-off de subida à Primeira Liga. Com esta vitória, assegura ainda presença na fase de liga da Liga Europa da próxima temporada.
Já o Sporting termina a época de forma agridoce, sem conquistar qualquer título, embora tenha garantido a presença na próxima edição da Liga dos Campeões.