Sinners (2025) Blues, Horrors e Conquista dos Óscares

Sinners (2025) Blues, Horrors e Conquista dos Óscares

Ambientado no Mississippi de 1932, em plena era da segregação racial, Sinners acompanha os irmãos gémeos Smoke e Stack Moore, ambos interpretados por Michael B. Jordan, no seu regresso à terra natal com a ambição de abrir um juke joint. O que começa como uma história de recomeço transforma-se numa noite de terror sobrenatural quando vampiros, sintomaticamente associados a associações de ódio supremacista branco, invadem o espaço de liberdade que os irmãos tentaram construir.

Ryan Coogler constrói assim uma alegoria política, o horror é exterior, mas o verdadeiro terror é histórico. O blues, presente na banda sonora de Ludwig Göransson surge como ato de resistência, uma força capaz de atravessar o tempo.

Na 98.ª edição dos Prémios da Academia, Sinners recebeu 16 nomeações, superando os 14 de Titanic (1997) e La La Land (2016). As nomeações abrangem as categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Ator Principal (Jordan), Melhor Ator Secundário (Delroy Lindo), Melhor Atriz Secundária (Wunmi Mosaku), Melhor Argumento Original, Melhor Fotografia, Melhor Partitura Original e Melhor Guarda-Roupa (Ruth E. Carter), entre outras.

Este reconhecimento transversal, criativo, interpretativo e técnico assinala uma viragem simbólica na história da Academia. Coogler torna-se apenas o sétimo realizador negro a ser nomeado para Melhor Realizador, e o filme estabelece também um recorde nos BAFTA, com 13 nomeações, tornando-se o projeto mais reconhecido de sempre realizado por um cineasta negro naquele organismo britânico.

No Mississippi de 1932, o blues escapa pela janela aberta de um juke joint.

Atravessa o tempo, os linchamentos, o silêncio, os créditos finais.

Sobe ao palco da Academia.

Dezasseis vezes, disseram o seu nome.

Dezasseis vezes, a História respirou.

Juliana Pires

Sinners (2025) Blues, Horrors e Conquista dos Óscares