Na manhã deste sábado, os Eua e Israel realizaram uma ofensiva militar conjunta contra o Irão, integrada na Operação Fúria Épica. Ali Khamenei, líder Supremo do Irão, morreu no seguimento dos ataques, confirmação dada pelas autoridades iranianas várias horas depois de Israel e Donald Trump terem avançado com a informação.
Nas últimas semanas, os Estados Unidos reforçaram de forma significativa a sua presença militar no Médio Oriente, mobilizando o maior destacamento militar norte-americano desde a invasão do Iraque em 2003, com cerca de 30 mil militares e uma poderosa armada que inclui os porta-aviões USS Gerald Ford e USS Abraham Lincoln. O aumento da tensão coincidiu com novas negociações entre Washington e Teerão sobre o programa nuclear iraniano, apesar de sinais de possível cedência por parte do Irão nomeadamente a disponibilidade para abdicar do armazenamento de urânio enriquecido no país, essa abertura não terá sido suficiente para evitar uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel, designada “Operação Fúria Épica”. O ataque teve como alvos responsáveis do regime, infraestruturas militares, instalações nucleares e locais ligados ao programa de mísseis balísticos onde vários dirigentes e operacionais iranianos terão sido mortos. Houve também vítimas civis, o Crescente Vermelho iraniano indicou centenas de mortos e feridos, como por exemplo num ataque a uma escola no sul do Irão. Tanto Donald Trump como Benjamin Netanyahu assumiram que o objetivo da operação era eliminar ameaças iminentes e enfraquecer o regime iraniano, chegando a apelar a uma mudança de governo em Teerão.
A resposta do Irão foi imediata, com ataques contra vários países do Golfo que acolhem bases norte-americanas, provocando explosões, encerramentos de espaço aéreo e pelo menos uma vítima mortal nos Emirados Árabes Unidos. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, garantiu que o país recorrerá a todos os meios de autodefesa e advertiu os países da região para impedirem que os seus territórios sejam utilizados para lançar ataques contra o Irão.
Perante estes acontecimentos, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se de emergência este sábado, a pedido de países como França, China e Rússia. Ainda no plano internacional, a presidente da Comissão Europeia convocou uma reunião especial de segurança para segunda-feira e líderes europeus, incluindo o presidente do Conselho Europeu e a chefe da Comissão Europeia, apelaram à maior contenção e à proteção de civis. A NATO afirmou que está a acompanhar de perto a evolução da crise, embora não tenha ativado medidas imediatas. Em Portugal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal declarou que está a acompanhar a situação “ao minuto” e em contacto com a sua rede diplomática, enfatizando que a segurança dos cidadãos portugueses é uma prioridade. O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, condenou os ataques iranianos considerados “injustificáveis” e pediu a “máxima contenção” para evitar uma escalada do conflito.
Já no Irão, será instaurado um período de transição, segundo a agência estatal IRNA, esse processo será conduzido por um conselho composto pelo Presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do poder judicial Gholam-Hossein Mohseni-Ejei e por um jurista do Conselho dos Guardiães que é formado por 12 membros, seis juristas e seis clérigos, e tem a responsabilidade de analisar as leis aprovadas pelo Parlamento, podendo validá-las ou rejeitá-las. Segundo a lei iraniana, a entidade encarregada de eleger o líder supremo é a Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos escolhidos por sufrágio direto para mandatos de quatro anos. As eleições mais recentes tiveram lugar em março de 2024.
Texto: Lara Sousa