Grande tensão no médio oriente foi o principal tema da semana. Já em território nacional, a receita fiscal registou um aumento de 2%, o ataque dos EUA e Israel pode ter impacto no preço do petróleo e fazer subir preços e continuam as manifestações contra o pacote laboral. Acompanhem-nos no expresso político da semana.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou este sábado que o país deu início a “grandes operações de combate” no Irão, afirmando que a ofensiva visa “eliminar ameaças iminentes” associadas ao regime iraniano. Num vídeo divulgado na rede social Truth, o chefe de Estado declarou que Teerão continua a desenvolver o seu programa nuclear e a planear mísseis com capacidade para atingir território norte-americano, reforçando que o Irão “nunca terá a arma nuclear”. Dirigindo-se diretamente à população iraniana, Trump apelou para que “controlem o vosso destino” e considerem este momento como uma oportunidade de mudança, acrescentando que militares iranianos poderão obter “imunidade” caso depõem as armas, sob pena de enfrentarem “morte certa”.
O Presidente admitiu ainda a possibilidade de baixas norte-americanas, sublinhando que tal “acontece frequentemente na guerra”.Entretanto, meios de comunicação iranianos relataram explosões em várias zonas do país, enquanto a televisão estatal confirmou o que descreveu como um “ataque aéreo do regime sionista”. A agência noticiosa Fars informou que foram registados sete impactos de mísseis nos bairros de Keshvardoust e Pasteur, em Teerão, área onde se localiza a residência do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, aumentando os receios de uma escalada militar de grandes proporções na região.
Já Netanyahu garante que violência vai “intensificar-se”, Portugal recebeu 18 pedidos de repatriamento de Israel.
Portugal recebeu 18 pedidos de repatriamento de Israel. Entretanto, Alireza Arafi é o novo líder interino do Irão. Vai comandar o Conselho de Liderança transitório que já iniciou funções – até que seja eleito um novo líder supremo. Foram decretados 40 dias de luto nacional e confirmados mais de 200 mortos e dezenas de feridos. Este domingo, está a ser marcado por uma onda de ataques israelitas. Na resposta, Teerão lançou várias vagas de mísseis contra Telavive e atingiu 27 bases militares norte-americanas. Foram também ouvidas explosões no Dubai, em Doha e no Bahrein.
Após o presidente do Estados Unidos, juntamente com o primeiro-ministro israelita Netanyahu terem confirmado a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. O chefe da segurança do Irão, Ali Larijani, prometeu lançar um ataque “com uma força sem precedentes” contra Israel e os Estados Unidos, na sequência da ofensiva militar de sábado que, segundo meios oficiais iranianos, resultou na morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Numa mensagem publicada na rede social X, escrita integralmente em letras maiúsculas num estilo semelhante ao frequentemente utilizado por Donald Trump na Truth Social Larijani afirmou que os mísseis disparados na véspera já causaram danos significativos e garantiu que a morte de Khamenei “será vingada”, sublinhando que o ataque terá unido ainda mais o país.
Ao mesmo tempo, a agência noticiosa Fars e outros órgãos de comunicação iranianos anunciaram também a morte do general Gholamreza Rezaian, chefe dos serviços de informações da polícia, que terá sido atingido nos bombardeamentos. Israel e Estados Unidos justificaram a operação como uma ação destinada a “eliminar ameaças iminentes” do regime iraniano, com Trump a reiterar essa posição e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a classificar o Irão como uma “ameaça existencial”. Durante a madrugada, um apresentador da televisão estatal iraniana confirmou, em lágrimas, a morte de Khamenei, que liderava a República Islâmica há 36 anos. Teerão decretou, entretanto, 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado, num momento que agrava drasticamente a tensão e eleva o risco de um conflito regional de larga escala.
Já em território nacional o estado português arrecadou 4.311,8 milhões de euros em receita fiscal no mês de janeiro, o que representa um aumento de 2% face ao mesmo período do ano anterior, segundo a síntese de execução orçamental divulgada esta sexta-feira pela Entidade Orçamental. De acordo com o documento, “em janeiro de 2026, a receita fiscal acumulada do subsetor Estado totalizou 4.311,8 milhões de euros”, traduzindo-se num acréscimo de 83,8 milhões de euros em termos homólogos. Os dados refletem a evolução da arrecadação de impostos no início do ano, num contexto de acompanhamento da execução orçamental e do desempenho das contas públicas.
O ataque militar conjunto de Israel e dos Estados Unidos ao Irão já provocou o fecho de facto do Estreito de Ormuz, um dos pontos mais críticos para o comércio mundial de energia, e isso está a ter impactos imediatos e fortes no mercado petrolífero. O Estreito de Ormuz é uma via marítima estreita, mas estratégica através da qual cerca de 20 % do petróleo comercializado globalmente passa antes de seguir para refinarias e mercados na Europa, Ásia e América; a sua interrupção aumenta drasticamente o risco de redução de oferta de petróleo e liquefied natural gas (LNG).
Antes mesmo dos ataques, o preço do barril de Brent referência na Europa já tinha subido para valores próximos dos 72–73 dólares devido ao medo de escalada no Médio Oriente; com a tensão e o bloqueio efetivo do Estreito, os mercados registaram um aumento de cerca de 10 % no preço do crude, e analistas avisam que, se a interrupção for prolongada, os preços poderão atingir ou mesmo ultrapassar os 100 dólares por barril, um nível que pode ter efeitos recessivos na economia global. Apesar de o Irão produzir apenas cerca de 3 % da oferta global de petróleo, o verdadeiro impacto vem da sua posição geográfica junto ao Estreito de Ormuz e não apenas da produção interna o que torna o conflito um fator de risco elevado para os mercados energéticos e para a inflação global, especialmente em economias fortemente dependentes de importações de petróleo e gás.
Em paralelo, membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (como Arábia Saudita e Rússia) anunciaram um pequeno aumento de produção a partir de abril para tentar estabilizar os mercados, mas tal pode não ser suficiente se as rotas marítimas continuarem bloqueadas. Em suma, o fecho do Estreito de Ormuz e as incertezas no Médio Oriente estão a pressionar fortemente os preços do petróleo, com potenciais efeitos negativos em toda a economia mundial.
Milhares de trabalhadores voltaram este sábado às ruas de Lisboa para contestar o pacote laboral apresentado pelo Governo, numa manifestação entre o Cais do Sodré e o Rossio marcada por palavras de ordem contra as alterações à lei do trabalho e apelos à melhoria das condições laborais. A iniciativa foi convocada pela CGTP, cujo secretário-geral, Tiago Oliveira, classificou a proposta como “negativa para o mundo do trabalho” e exigiu a sua retirada, acusando o executivo de contar com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal para avançar com a reforma.O anteprojeto, designado “Trabalho XXI”, foi apresentado a 24 de julho de 2025 pelo Governo liderado por Luís Montenegro, sustentado por Partido Social Democrata e CDS-PP.
A ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, já indicou que a proposta será levada ao parlamento, embora sem calendário definido. As centrais sindicais rejeitam as mudanças, considerando-as um retrocesso nos direitos laborais, posição que levou CGTP e UGT a convocarem uma greve geral em 11 de dezembro de 2025. Já as confederações empresariais manifestaram apoio à reforma, apesar de defenderem ajustamentos. Está prevista para terça-feira uma reunião plenária de Concertação Social, num momento em que o diálogo entre Governo e parceiros sociais permanece tenso.
Afonso Lordelo