A prisão invisível do fracasso

A prisão invisível do fracasso

“Aquele que nunca cometeu um erro nunca tentou nada de novo”, esta frase remete ao constante medo de falhar que é uma das experiências mais universais da existência humana, apesar disso continua a ser algo visto como negativo, quase vergonhoso que deve ser escondido ou evitado. Este medo acompanha-nos desde cedo e manifesta-se em várias fases da nossa vida, como a académica, a pessoal e profissional acabando por moldar decisões e influenciando a forma como nos vemos a nós próprios.

Na vida académica, o medo de falhar surge muitas vezes devido a um sistema que valoriza excessivamente os resultados e penaliza o erro, desde muito novos somos ensinados a associar o sucesso às boas notas e o fracasso às classificações negativas, mas lembrem-se uma nota não define quem somos e quem seremos. Como consequência deste medo, errar deixa de ser entendido como parte do processo de aprendizagem e passa a ser interpretado como um sinal de incompetência, como resultado muitos alunos deixam de participar nas aulas, de fazer perguntas ou arriscar respostas diferentes, pois têm receio de errar e de serem julgados. Assim, o medo de falhar acaba por limitar o verdadeiro objetivo da educação: aprender, questionar e evoluir.

Com isto, a vida académica também acaba por afetar a vida pessoal, uma nota deixa de ser algo do momento e passa a afetar a autoestima do estudante e até do seu próprio ser. Falhar num teste ou numa disciplina pode causar sentimentos de frustração, vergonha e desmotivação, levando alguns a acreditar que não são capazes e que não têm futuro. Para além disso, na vida pessoal este medo assume contornos diferentes e muitas pessoas evitam mudanças importantes, como iniciar um relacionamento, mudar de curso, trocar de emprego ou seguir um sonho por receio de errar, de sofrer ou de decepcionar os outros. Opta-se frequentemente pela segurança do que é conhecido, mesmo que isso implique insatisfação ou infelicidade.

Vivemos numa época que valoriza o sucesso constante, a perfeição e a produtividade, deixando pouco espaço para os erros e a vulnerabilidade. As redes sociais intensificam esta pressão, ao mostrarem apenas momentos de sucesso e felicidade criando a ilusão de que falhar é algo raro ou inaceitável.

No entanto, o medo de falhar não é, por si só, algo negativo. Em certa medida, pode ajudar-nos a ser mais cuidadosos, responsáveis e conscientes das nossas escolhas. O problema surge quando esse medo se torna excessivo e paralisante, impedindo a ação, a mudança e o crescimento. Quando o medo passa a controlar as decisões, deixa de nos proteger e começa a limitar o nosso desenvolvimento pessoal.

 Sendo assim, o maior erro do ser humano é tentar mostrar aos outros que é capaz e suficiente, esquecendo-se que só tem de mostrar isso a si próprio. A pressão que às vezes é exercida pela família faz com que pensemos que temos de lhes mostrar que estamos aptos e preparados para o futuro, mas quem realmente importa SOMOS NÓS. O futuro é nosso, as decisões são nossas e ninguém tem de opinar sobre o que quer que seja, quem vai lidar com os problemas e com os obstáculos SOMOS NÓS e não a nossa família ou amigos, por isso sim às vezes temos de ser um pouco egoístas e pensar só em nós próprios e no nosso bem-estar.

Mariana Borges