Elfyn Evans é vencedor do WRC depois de um deslize de Oliver Solberg

Elfyn Evans é vencedor do WRC depois de um deslize de Oliver Solberg

Elfyn Evans, juntamente com Rui Soares, tornou-se neste domingo, dia 6 de outubro, o mais recente campeão do campeonato do mundo de ralis, graças a um erro grave de Oliver Solberg. Apesar do erro o sueco conquistou a vitória no Rali da Sardenha. 

Chegamos ao último rali da época, o rali da Sardenha, em Itália, e a Toyota que construiu para este ano um carro que se destacou perante todos os outros, chegava a Itália com três pilotos a lutar pelo prémio de campeão do WRC. Elfyn Evans liderava a batalha com 230 pontos, em segundo lugar chegava o vencedor das últimas três provas do rali, Sami Pajari, com 17 pontos de vantagem, e no último lugar do pódio, com menos 21 pontos, o vencedor da prova inaugural do campeonato do mundo e que disputa pela primeira vez como piloto a tempo inteiro no WRC, Oliver Solberg. 

O primeiro dia estava a mostrar o que é um verdadeiro rali de terra e a organização viu-se obrigada a aumentar o tempo de partida entre os carros para 4 minutos. Evans ia ter uma tarefa complicada pois estava a abrir estrada num rali onde havia muito para limpar, mas quem teve o primeiro percalço foi Oliver Solberg que na Pecc 2 teve um furo, felizmente foi perto da meta e não ganhou muita desvantagem em relação aos adversários. 

O piloto sueco desceu para sétimo lugar e tinha agora um grande desafio pela frente se queria ter uma boa posição na estrada no segundo dia. Na primeira manhã quem liderava era a Hyundai que liderava com Fourmaux e Neuville a batalhar na frente da classificação e seguidos por Oliver Solberg que conseguiu recuperar 4 posições. Evans caía para sexto. 

A parte da tarde foi ligeiramente mais calma, o galês limitou-se a chegar à zona de assistência na melhor posição possível, Sami Pajari estava a conseguir fazer melhor que Evans, mas não melhor que Oliver Solberg, que parecia estar numa realidade à parte e conseguiu bater os colegas e reforçar a sua posição na luta pelo título, no entanto não conseguiu ultrapassar os Hyundais que continuavam numa disputa entre eles. Neuville na última classificativa do dia conseguiu ultrapassar Fourmaux, e o pódio no primeiro dia ficou definido com os dois Hyundais na frente e o sueco da Toyota em terceiro, já os outros candidatos pelo título começavam a perder terreno, Pajari terminou em quinto e Evans em sexto. 

O sábado continuou com a poeira a invadir as pistas da Sardenha, e logo na amanhã tivemos muitas mudanças na classificação. Adrien Fourmaux teve um problema com o seu Hyundai e ofereceu o seu segundo lugar a Oliver Solberg e ajudou Sami Pajari a alcançar o quarto lugar. A disputa pelo primeiro lugar entre Neuville e Solberg estava a ser espetacular, mas o piloto da Toyota mostrou que vinha para ganhar e no fim da manhã de sábado ultrapassou o belga. Fourmaux roubou o quarto lugar a Sami Pajari e os dois Toyotas mantiveram-se na mesma posição que na sexta-feira. 

Na tarde de sábado a luta da Toyota com os Hyundai perdeu a força que estava a ter até ao momento. Na Pecc 12 Neuville viu-se obrigado a desistir depois de danos no carro enquanto Fourmaux perdeu a posição graças a um furo, mas antes do fim do dia conseguiu ainda recuperar algum tempo. Estes azares para a equipa da Hyundai também eram pedras no sapato de Oliver Solberg que via os seus adversários na luta pelo título aproximarem-se, “Ele precisa de manter a sua posição, percebes? Para nós conseguirmos lutar!”.  A corrida pelo WRC estava ao rubro e seguíamos para o último dia com uma luta muito renhida. Oliver Solberg na classificação do rali da Sardenha estava em primeiro lugar, no entanto na geral tinha 234 pontos, Elfyn Evans com 240 pontos e quinto na classificação, já Pajari tinha 228 pontos e estava em terceiro na classificação. 

O dia começou como tinha terminado o sábado. Solberg continuava a voar e as estrelas pareciam estar a alinhar-se para o sueco. Na Pecc 16, penúltima classificativa, Elfyn Evans decidiu atacar para ficar mais confortável, mas numa passagem numa zona com pedras tiveram um furo no pneu. Rui Soares, principal engenheiro do piloto, não podia acreditar, mas o galês trocou o pneu em pouco mais de um minuto e voltou à estrada conseguindo manter a posição na classificação. Tudo ficou em aberto para a Powerstage que dava 5 pontos ao vencedor. Oliver Solberg tinha no momento 239 pontos e Elfyn Evans 240, logo o melhor colocado nas 5 primeiras posições levava o prémio.  

Evans fez uma boa powerstage, ficando apenas atrás de Thierry Neuville, mas deixava tudo nas mãos do jovem sueco. Oliver Solberg vinha a voar e a mostrar o porquê de ter começado com 21 pontos de desvantagem e estar já com o seu nome rotulado como campeão do mundo. Com o seu pai Petter Solberg a assistir da meta aquela que podia ser a primeira vez em que um pai e filho conquistavam um campeonato do mundo de ralis na história desperdiçou tudo. O jovem estreante como piloto a tempo inteiro despistou-se a pouco mais de 100 metros da meta e a pôs assim um ponto final numa das mais épicas lutas pelo título. “Ainda não consegui assimilar tudo isto. Estava plenamente convencido de que o título nos tinha escapado. Dei absolutamente tudo o que tinha. Sinto muito pelo Oliver e tenho uma lista enorme de pessoas a quem agradecer”, disse o piloto galês, de 37 anos, que já havia conquistado um campeonato do mundo em 2024.

Elfyn Evans terminou o campeonato do mundo de ralis com 243 pontos, seguido de Oliver Solberg com 238 e Sami Pajari com 237. Solberg apesar do despiste saiu com a vitória no rali da Sardenha e venceu assim o seu terceiro rali da época.

Autor: Paulo Ribeiro
Imagem: @OfficialWRC