Foi erro, ou somos só influenciados? Mostramos o que queremos e quando queremos e isto é prova disso.
Pouco se fala já desta guerra.
Será que acabou?
Não.
Então porque é que parece ter desaparecido?
Durante meses abriu telejornais, ocupou capas de jornais e dominou conversas. Hoje, quase temos de procurar informação para perceber o que está a acontecer.
E no entanto, a guerra continua.
Só em julho, mais de 400 civis morreram e mais de 2.600 ficaram feridos na Ucrânia. Foi um dos meses mais mortíferos para a população civil desde os primeiros meses da invasão.
Em Kyiv, os ataques com drones tornaram-se mais frequentes e já não acontecem apenas durante a noite. Há escolas a levar crianças para abrigos, transportes interrompidos, cortes de eletricidade e milhões de pessoas que continuam a tentar viver uma vida “normal” no meio de uma guerra.
Do outro lado, a Ucrânia intensificou também os ataques com drones em território russo, atingindo infraestruturas, refinarias e aeroportos. A guerra continua a fazer-se sentir muito para além da linha da frente.
Há negociações, há encontros diplomáticos e há novamente conversas sobre paz.
Mas a paz ainda não chegou e é aqui que não consigo deixar de pensar.
Como é que uma guerra deixa de ser notícia sem deixar de ser guerra?
As pessoas continuam a morrer, as famílias continuam separadas, as crianças continuam a correr para abrigos e os soldados continuam na frente de combate.
O que mudou não foi a realidade.
Mudou a nossa atenção.
Talvez seja esta uma das partes mais inquietantes da forma como consumimos informação, habituamo-nos.
Aquilo que ontem nos chocava, hoje parece fazer parte da paisagem.
Uma guerra começa e queremos saber tudo.
Passam meses. Passam anos. Surge outra crise, outro conflito, outra notícia e aquela guerra continua lá só deixou de estar diante dos nossos olhos.
Talvez o verdadeiro perigo não seja apenas esquecermos uma guerra.
É habituarmo-nos ao facto de ela existir…
Ana Linhares