Os testes realizados na madrugada de domingo a vários atletas e aos líderes até ao momento, Tadej Pogačar (UAE Team Emirates) às 05h e a Jonnas Vingeggard (Visma-Lease a Bike) às 02h, têm gerado muito revolta entre os ciclistas e suas equipas.
Depois de um dia em que Jonas Vingeggard perdeu 44 segundos para Tadej Pogačar em Le Markstein, viu o seu sono interrompido às 02:00 por batidas na porta do seu quarto. Faltavam poucas horas para o início de uma das provas mais exigentes de alta montanha do Tour, com chegada no Plateau de Solaison. Do outro lado estavam os elementos da Agência Internacional de testes (ITA) para recolher amostras ao atleta e aos seus colegas de profissão. Os testes duraram cerca de 45 minutos e foram os últimos do dinamarquês que caiu durante a etapa de segunda-feira e abandonou a competição com uma fratura na clavícula. O bicampeão do Tour não pôs as culpas no controlo, mas afirmou que não ajudou, “A ITA não me deixou dormir muito. Estava a dormir muito bem, mas alguém bateu à minha porta às 02h00. Claro que é bom eles testarem, mas afetar a performance e o sono penso que não é tão bom», afirmou o bicampeão do Tour, acrescentando esperar que «tenha sido igual para todos».” Já Tadej Pogačar teve o mesmo problema e recebeu a visita da ITA às 05:00. O atleta afirmou que depois da realização dos testes não conseguiu retomar o sono e partiu para a etapa com apenas 4 horas de sono, «Definitivamente, não foi agradável ser acordado dos meus sonhos», comentou o esloveno.
A revolta surgiu, pois, os atletas não podem ser submetidos a testes entre as 22:00 e as 06:00 a não ser que haja suspeitas sérias e específicas de que estejam envolvidos em doping.
A União Ciclista internacional pronunciou-se e reconheceu esta quarta-feira que os controlos antidopagem podem prejudicar a recuperação e perturbar o descanso, mas relembrou que são situações necessárias e justificadas, “A UCI reconhece que os controlos efetuados durante a noite podem perturbar o descanso e a recuperação dos ciclistas, e reitera que o recurso a estes controlos fora do horário habitual [06:00-23:00] é uma medida excecional, reservada a circunstâncias limitadas e justificadas,…, mesmo que perfeitamente consciente do quão penalizadora esta medida é para os ciclistas, a UCI sublinha, no entanto, que estes controlos servem um interesse fundamental, o da luta antidopagem”.
Autor: Paulo Ribeiro
Imagem: @LeTour