Terminar o ensino secundário é um momento que muitos jovens esperam com entusiasmo, é o fim de uma etapa importante e o início de outra. No entanto, por detrás da felicidade de concluir a escola, existe uma pressão que nem sempre é visível: a pressão de decidir o futuro.
A primeira pergunta que nos fazem quando terminamos o secundário é “o que vais fazer agora?”. Aos 17 ou 18 anos espera-se que um jovem saiba exatamente o que quer fazer da vida, somos constantemente questionados sobre o curso que vamos escolher, a universidade para onde queremos ir, ou até a profissão que desejamos seguir. Parece que precisamos de ter uma resposta naquele preciso momento, quando, na verdade, muitos de nós ainda estão a descobrir quem são.
Normalmente, associa-se esta pressão à família, mas também pode vir dos amigos, da escola e até da sociedade que nos rodeia. Somos obrigamos a ouvir frases como “tens de escolher um curso com saída”, “não podes desperdiçar a tua média”, “essa profissão não tem futuro” e assim, num estalar de dedos, começamos a tomar decisões não por nós mesmos, mas sim para não desiludir os outros.
Os jovens deveriam se sentir livres para explorar diferentes caminhos, sem receio de errar. Escolher um curso não tem de ser uma decisão definitiva, porque a vida está cheia de mudanças e novas oportunidades. Sendo assim, mais importante do que tomar uma decisão “certa” é escolher um caminho que faça sentido naquele momento e que nos faça felizes, porque fomos nós que o escolhemos por vontade própria.
No fundo, todos temos medo de falhar, medo de escolher o curso errado, de não entrar na universidade desejada ou de desiludir aqueles que acreditam em nós. No entanto, esse medo faz parte do crescimento. Afinal, se nunca tivéssemos de tomar decisões difíceis, também nunca aprenderíamos a lidar com as consequências das nossas escolhas.
Com isto, terminar o ensino secundário não significa apenas concluir uma etapa da nossa vida, mas também enfrentar uma das primeiras grandes decisões do nosso futuro. Embora a pressão para escolher o caminho certo seja cada vez maior, é importante lembrar que nenhuma decisão define quem somos para sempre. Crescer é aprender, mudar, arriscar e, por vezes, recomeçar. Por isso, em vez de exigirmos que os jovens tenham todas as respostas aos 18 anos, talvez devêssemos dar-lhes tempo e confiança para descobrirem, ao seu próprio ritmo, o caminho que realmente os fará felizes.
Mariana Borges