Foi na madrugada de 2 para 3 de julho que a armada lusitana “navegou” por estádios nunca antes visitados e deu sofrimento, histerismo e alegria aos milhões que os acompanham no Mundial das Américas. Desta vez, foi o BMO Field em Toronto, o palco para mais um duelo dos dezasseis avos de final do Campeonato do Mundo, com o confronto entre Portugal e a Croácia.
Pela primeira vez neste Mundial, Portugal saía dos Estados Unidos para praticar o seu futebol. A sua chegada ao Canadá foi digna de uma autêntica equipa da casa, graças aos milhares de portugueses residentes em Toronto que se juntaram e aguardaram a chegada da comitiva de Portugal. A partir daí, apenas se via verde e vermelho que também revestiam as ruas da cidade canadense.
O selecionador nacional, Roberto Martinez mostrou-se confiante na antevisão para o jogo e considerou que a fase de grupos tinha sido apenas um teste e que só agora começava verdadeiramente o mundial. Como tal, promoveu duas alterações no onze frente aos croatas, com o regresso de João Neves à titularidade depois de render Ruben Neves, e também a entrada de Rafael Leão para o lugar de Félix.
Com o Norueguês Espen Eskas a apitar para o início da partida, Leão quis aproveitar o voto de confiança do “mister” e logo ao minuto 3 apareceu nas costas da defensiva croata para oferecer o golo a Bruno Fernandes, que só viu o seu remate esbarrado nas mãos de Livakovic, criando assim a primeira boa oportunidade da partida. Até à primeira pausa de hidratação, só dava Portugal, mas a ineficácia lusa começava a pesar depois de várias oportunidades desperdiçadas à frente da baliza, por mínimo que fosse o toque necessário para colocar o esférico na baliza croata. Com a primeira parte marcada pelo cerco português à área de Livakovic, a verdade é que todo o entusiasmo estava guardado para os segundos 45 minutos.
Para a segunda parte, Zlatko Dalic promoveu uma alteração logo ao intervalo com a saída de Budimir e a entrada de Matanovic, ambos ponta de lança, mas o segundo muito mais capaz de procurar espaço entre linhas e ferir a agilidade da defensiva portuguesa.
Como tal, foram mesmo os croatas a entrar melhor na segunda metade do jogo, com Sucic a aproveitar a passividade da defensiva lusitana e a rematar assim à baliza de Portugal, valendo apenas Diogo Costa, que com um toque providencial arrumou a bola para canto. Contudo, era mesmo a Croácia que entrava com tudo no jogo e ao minuto 53, a projeção dos laterais croatas desestabilizou a muito pouco organizada defensiva portuguesa, e foi com um cruzamento do lateral direito Stanisic, que o Lateral esquerdo Perisic dominou e rematou para o fundo da baliza de Diogo Costa, o que colocou em maus lençóis a equipa de Portugal nos primeiros dez minutos da segunda parte.
Portugal precisava de responder ao golo croata, e ao minuto 57, Rafael Leão tentou puxar para si essa responsabilidade com um espetacular remate à trave da baliza croata, a única coisa capaz de travar aquele que seria um dos grandes golos deste Mundial.
Mesmo com Portugal em desvantagem, a Croácia estava a conseguir chegar à baliza de Diogo Costa com alguma facilidade e foi mesmo o guardião do Futebol Clube do Porto a impedir que o caldo ficasse mais entornado para equipa das quinas. A precisar urgentemente de mexer, Roberto Martinez decidiu colocar a carne toda no assador ao minuto 62 com as entradas de Bernardo Silva, Nélson Semedo, Francisco Conceição e Gonçalo Ramos.
Logo depois desta quadrupla substituição, canto para Portugal e penálti sobre Renato Veiga confirmado pelo VAR depois de demasiado tempo de análise do lance. Esta era a derradeira oportunidade de colocar tudo de novo na estaca zero. Penálti que é penálti só pode ser batido por um robô quando este está em campo. Assim sendo, Cristiano Ronaldo tinha no seu pé direito a oportunidade de voltar a colocar Portugal no jogo. E assim foi, com toda a calma e frieza do mundo, o nosso capitão bateu para o meio quando Livakovic ia para a esquerda e empatou o duelo em Toronto ao minuto 68.
Contudo, com este golo Portugal adormeceu outra vez em campo e as dificuldades defensivas tornaram-se mais uma vez evidentes. A Croácia conseguia chegar à baliza portuguesa com facilidade e o que valeu mesmo foi a muralha entre os postes. Diogo Costa fazia defesa atrás de defesa e mantinha Portugal vivo no duelo.
Com as estrelinhas no céu a olhar pelos portugueses 1 ano depois do acidente fatal de Diogo Jota e o seu irmão André Silva, este jogo estava destinado a favor dos “tugas”. E foi ao minuto 90+4, que surgiu a cabeçada que colocou milhões em delírio pelo mundo fora. Rafael Leão pegou na bola, e com um sorriso no rosto, teleguiou o esférico para a cabeça de Gonçalo Ramos, que no meio de dois croatas só viu a bola parar no fundo da baliza da Croácia, conseguindo assim a reviravolta no marcador a favor dos portugueses.
Mas como um bom português nunca para de sofrer com a sua seleção, a croácia ainda marcou para lá dos dez minutos de compensação dados pelo árbitro da partida, que a esticou mais do que devia. Contudo, muitas graças temos de dar à tecnologia de golo, ou a algo divino talvez… pois o sensor da bola Triondagarantiu a anulação do golo croata e confirmou assim a vitória portuguesa em Toronto.
Depois de sofrimento, histerismo e homenagens feitas num jogo digno de Mundial, Portugal passou aos oitavos de final do Campeonato do Mundo, onde irá defrontar no próximo dia 6 de junho às 20:00 a Espanha no AT&T Stadium nos Estados Unidos.
Homem do Jogo – Cristiano Ronaldo
Onzes Iniciais
Portugal
Diogo Costa (GR)
João Cancelo
Rúben Dias
Renato Veiga
Nuno Mendes
João Neves
Vitinha
Pedro Neto
Bruno Fernandes
Rafael Leão
Cristiano Ronaldo ©
Treinador – Roberto Martinez
Croácia
Dominik Livakovic (GR)
Josip Stanisic
Josip Sutalo
Marin Pongracic
Ivan Perisic
Luka Modric ©
Mateo Kovacic
Nikola Vlasic
Petar Sucic
Martin Baturina
Ante Budimir
Treinador – Zlatko Dalic
