Expresso Político – Semana de 1 a 7 de Junho

Expresso Político – Semana de 1 a 7 de Junho

A tensão política em torno da greve geral e da Prestação Social Única, os acordos de revisão constitucional, a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU, o arranque do Dia de Portugal no Luxemburgo, o impacto da guerra na Ucrânia e a escalada sem precedentes do conflito no Médio Oriente são alguns dos temas deste Expresso Político.

A semana política foi fortemente marcada por uma greve geral. Enquanto a CGTP reivindicou uma forte adesão capaz de paralisar vários setores, o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, desvalorizou o impacto, antecipando que a esmagadora maioria iria trabalhar, classificando o impacto da greve como residual. O clima de tensão estendeu-se aos partidos, com a líder da Iniciativa Liberal a condenar a violência e a acusar o PCP e a central sindical de adotarem uma “tónica agressiva”. Simultaneamente, as negociações do Governo (através do MAI) com a GNR e a PSP terminaram mais uma vez sem avanços práticos, mantendo o descontentamento nas forças de segurança.

No Parlamento, as atenções focaram-se na discussão do pacote laboral e da nova Prestação Social Única (PSU). A proposta da PSU gerou enorme controvérsia, pelo facto do Governo pretender aprová-la sem revelar o valor exato do apoio prestado e por incluir uma regra severa: quem recusar fazer trabalho social ficará com a prestação suspensa durante dois anos. Para viabilizar a medida, o Governo enfrenta a pressão do Chega, que exige que os apoios aos imigrantes sejam limitados. À esquerda, o PCP não poupou críticas ao calendário parlamentar, acusando o Governo de “medo e pressa” por agendar a discussão do pacote laboral para logo após um jogo da seleção nacional. Questionado, António José Seguro limitou-se a afirmar que “este é o tempo do Parlamento”.

Portugal é eleito para o Conselho de Segurança da ONU, António José Seguro considerou que esta vitória “enaltece todo o povo português”. O prestígio internacional estendeu-se, ainda à área financeira, com o Ministro das Finanças a ser nomeado vice-presidente do Conselho de Governadores do BERD. A semana terminou num tom festivo, com o Presidente da República e o Primeiro-Ministro a viajarem para o Luxemburgo para dar início às comemorações do Dia de Portugal. Recebido com entusiasmo, António José Seguro condecorou personalidades locais, apelou ao reforço do ensino da língua portuguesa e aproveitou a ocasião para alertar para a “bomba-relógio” do envelhecimento, pedindo uma melhor resposta do Estado para o setor social.

PSD e Chega acordaram avançar com a entrega de projetos de revisão constitucional até ao final do ano, uma iniciativa que o PS já veio classificar como “inconstitucional”. Por outro lado, os socialistas enfrentam as suas próprias divisões internas devido aos desenvolvimentos da “Operação Imergente”, com Alexandra Leitão a marcar a sua posição ao garantir que suspenderia o mandato se viesse a ser constituída arguida. Já Luís Montenegro continuou a braços com o caso “Spinumviva”, avançando com mais dois recursos para tentar travar a divulgação de dados, enquanto garante ter cumprido todas as obrigações declarativas e aguarda pela decisão do Tribunal Constitucional.

O conflito ucraniano escalou perigosamente com o impacto de um drone naval em Constança, na Roménia, obrigando a intervenções firmes de Ursula von der Leyen e António Costa em defesa do espaço da NATO. Em contraste, viveram-se momentos de cooperação com um cessar-fogo localizado em Zaporizhzhia para reparações elétricas. Volodymyr Zelensky convidou Vladimir Putin para negociações, ao que o líder russo se mostrou recetivo, recordando entendimentos passados com Donald Trump. Para consolidar a sua estratégia e garantir apoios de segurança, Zelensky encontra-se este domingo em Londres reunido com líderes europeus. Luís Montenegro afirmou que Portugal apoia a atribuição do estatuto de membro associado da UE à Ucrânia para dar “um sinal político” a Kiev.

No Médio Oriente, a situação agravou-se drasticamente com Israel a atacar os subúrbios do sul de Beirute, ignorando o acordo de cessar-fogo estabelecido com o Líbano. Em retaliação imediata, o Irão prometeu uma “resposta dolorosa e decisiva”, com o deputado Ebrahim Rezaei a exigir que o “regime sionista raivoso” seja disciplinado pelos ataques aos territórios. Nos Estados Unidos, Donald Trump defendeu que a ofensiva israelita contra o Hezbollah deveria ser “mais cirúrgica”, revelando ter tido uma conversa telefónica tensa com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre as negociações com o Irão. O líder norte-americano confirmou também que não planeia retirar os cerca de 50 mil soldados norte-americanos que já se encontram envolvidos na guerra com o Irão. Trump justificou a permanência militar afirmando que as tropas estão a fazer um “ótimo trabalho” e não se encontram em perigo crítico, apesar de já se terem registado 13 mortes entre os militares dos EUA. Donald Trump analisou, ainda, a recente e forçada sucessão no topo do regime iraniano, descrevendo o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, como alguém “mais racional”.

Francisco Timóteo