Michael B. Jordan conquista seu primeiro Óscar numa noite dominada por “Uma Batalha Após a Outra”

Michael B. Jordan conquista seu primeiro Óscar numa noite dominada por “Uma Batalha Após a Outra”

A 98.ª edição dos Óscares reconheceu, no passado domingo, os grandes destaques do cinema do último ano, numa cerimónia marcada por conquistas históricas e algumas surpresas. A gala decorreu no Dolby Theatre, em Los Angeles, reunindo algumas das maiores figuras da indústria cinematográfica.

O grande vencedor da noite foi “Uma Batalha Após a Outra”, realizado por Paul Thomas Anderson, que com 13 nomeações arrecadou seis estatuetas, incluindo Melhor Filme e Melhor Realização. Esta vitória marcou um momento particularmente significativo na carreira do cineasta, que conquistou pela primeira vez o Óscar de Melhor Realizador, após anos de reconhecimento crítico e uma longa carreira com várias nomeações anteriores.

Além das categorias principais, o filme destacou-se também em áreas como montagem, argumento adaptado e direção de elenco, consolidando-se como a produção mais premiada da noite. A vitória de Anderson reforça o seu estatuto como um dos realizadores mais influentes do cinema contemporâneo, juntando-se a nomes como Christopher Nolan, Martin Scorsese e Bong Joon-ho na lista de vencedores da categoria.

Apesar das suas 16 nomeações, ”Sinners” acabou por garantir apenas 4 categorias, incluindo a de Melhor Ator para Michael B. Jordan, pela sua atuação do papel duplo dos gémeos “Smoke” e “Stack”, conquistando assim a primeira estatueta da sua carreira. Já o prémio de Melhor Atriz foi atribuído a Jessie Buckley, pela sua interpretação em “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, também este o primeiro Óscar da atriz. Sua atuação já lhe tinha garantido prémios como o Golden Globe, Critics’ Choice Award, BAFTA e Actor Awards, consolidando-a como uma das mais premiadas do ano.

Nos papéis secundários, Sean Penn venceu o prémio de Melhor Ator Coadjuvante pelo seu desempenho em “Uma Batalha Após a Outra”, enquanto Amy Madigan foi distinguida como Melhor Atriz Secundária pelo filme “A Hora do Mal”.

Na vertente internacional, “Valor Sentimental”, da Noruega, conquistou o Óscar de Melhor Filme Internacional, superando, entre outros, o brasileiro “O Agente Secreto”, realizado por Kleber Mendonça. Apesar de estar nomeado em quatro categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura, o filme brasileiro acabou por não arrecadar qualquer galardão, num resultado decepcionante face às expectativas.

O Brasil também esteve representado na categoria de Melhor Fotografia por Adolpho Veloso, com “Sonhos de Trem”, mas o prémio foi entregue a Autumn Durald Arkapaw, tornando-se na primeira mulher a vencer nesta categoria, pelo seu trabalho em “Uma Batalha Após a Outra”.

Entre os destaques técnicos, “Frankenstein”, de Guillermo del Toro, conquistou três prémios nas categorias de Melhor Figurino, Melhor Maquilhagem e Cabelos e Melhor Design de Produção, evidenciando o seu forte impacto visual. Já “F1: O Filme” venceu na categoria de Melhor Som, enquanto Avatar: Fire and Ash” se destacou ao conquistar o Óscar de Melhores Efeitos Visuais.

Na animação, “Guerreiras do K-Pop” confirmou o seu sucesso global ao vencer nas categorias de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original, com o tema “Golden”, um dos momentos musicais da noite. Já o Óscar de Melhor Banda Sonora foi conquistado pelo compositor e produtor musical sueco Ludwig Göransson que levou o terceiro Óscar da sua carreira para casa pelo filme “Sinners”. Anteriormente já tinha vencido dois Óscares na mesma categoria pelo seu trabalho em “Black Panther (2018) e “Oppenheimer” (2023). 

Uma das maiores surpresas da noite foi o empate na categoria de Melhor Curta-Metragem Live-Action. Os dois grandes vencedores foram “The Singers” e “Two People Exchanging Saliva”. Este marca apenas o sétimo empate na história da Academia, evidenciando a raridade da situação em quase 100 anos de cerimónias.

Por outro lado, a noite ficou também marcada por algumas desilusões. “Marty Supreme”, protagonizado por Timothée Chalamet, apesar de nove nomeações, saiu de mãos vazias, tornando-se um dos maiores derrotados da noite.

Se para alguns a noite foi uma de destaque, para outros ficou marcada por expectativas frustradas. Ainda assim, a edição de 2026 dos Óscares destacou a variedade e talento do cinema contemporâneo, ao celebrar tanto grandes produções como projetos mais intimistas, num equilíbrio cada vez mais evidente na indústria.

Leonor Ferraz

Michael B. Jordan conquista seu primeiro Óscar numa noite dominada por “Uma Batalha Após a Outra”