Vivemos numa sociedade cheia de estereótipos, onde o que mais importa são as aparências. Esta mesma sociedade, que está longe de ser perfeita e que comete muitos erros, exige que mostremos perfeição e rigor. Somos levados a parecer fortes e indiferentes, porque se demonstrarmos sentimentos, somos considerados fracos, mas se não os mostrarmos, somos vistos como insensíveis.
O carnaval é uma época em que as pessoas usam máscaras e disfarces para se divertirem e assumirem outras identidades. Durante este dia, é aceitável sermos quem quisermos, heróis, vilões, figuras públicas ou personagens imaginárias. No entanto, fora desta festividade, parece que continuamos a usar máscaras, não de papel ou plástico, mas sociais.
No dia a dia, muitas pessoas escondem o que realmente sentem para se encaixarem nos padrões impostos pela sociedade. Criam uma imagem perfeita nas redes sociais, fingem felicidade quando estão tristes e evitam mostrar fragilidades com medo de serem julgadas. No carnaval representamos um papel naquele único dia , mas neste sentido esta representação acaba por se prolongar durante todo o ano.
Assim, a sociedade transforma-se num grande palco onde quase todos só se importam com a forma como são vistos e não com quem realmente são, usando uma máscara invisível que, com o tempo, faz com que deixemos de saber distinguir a nossa verdadeira identidade da personagem que criamos para agradar os outros.
Esta preocupação constante com a imagem é ainda mais visível nas redes sociais, onde tudo parece perfeito: corpos perfeitos, vidas perfeitas, relações perfeitas. Mostra-se apenas o que é bonito e feliz, escondendo as inseguranças e dificuldades que fazem parte da vida real. Aos poucos, começamos a comparar-nos com essas imagens irreais e sentimos a necessidade de construir também uma versão idealizada de nós próprios.
No fim de contas, o carnaval acaba por ser apenas um reflexo daquilo que acontece todos os dias à nossa volta. Rimos, julgamos e seguimos tendências quase sem pensar, quase como se estivéssemos todos a participar do mesmo desfile. Sendo assim, talvez o maior desafio não seja escolher a melhor máscara, mas sim ter coragem para não precisar de uma. Porque no meio de tantas aparências, ser verdadeiro tornou-se quase um ato de rebeldia.
Mariana Borges