A passada semana ficou marcada por diversos desenvolvimentos relevantes no plano político nacional e internacional, num contexto de crescente atenção à estabilidade democrática e às tensões geopolíticas globais.
Numa conjuntura nacional, o debate político foi dominado pela proximidade das eleições presidenciais de 2026. Os candidatos intensificaram ações de campanha e declarações públicas, enquanto os partidos
reforçaram posições estratégicas, ainda que formalmente afastados do processo eleitoral. Em paralelo, sondagens divulgadas ao longo da semana indicaram que uma parte significativa da população demonstra preocupação com o impacto da instabilidade internacional na economia nacional, apesar de manter expectativas moderadas quanto à estabilidade política interna.
Ainda no plano nacional, o Governo foi pressionado a prestar esclarecimentos sobre a situação de cidadãos portugueses e lusodescendentes detidos na Venezuela, reacendendo o debate sobre a proteção consular e a atuação diplomática portuguesa em contextos de regimes autoritários.
No cenário internacional, o Irão voltou a ocupar o centro das atenções com a continuação de protestos populares contra o regime, enfrentados com forte repressão por parte das autoridades. A comunidade internacional manifestou preocupação com a violação de direitos humanos, enquanto organizações independentes denunciaram detenções arbitrárias e restrições à liberdade de informação.
No Sudeste Asiático, Myanmar realizou novas fases de eleições sob administração militar, num processo amplamente contestado por observadores internacionais, que questionam a legitimidade democrática do sufrágio e alertam para a exclusão da oposição política.
Na Europa, a política francesa foi abalada pelo avanço de processos judiciais envolvendo figuras de destaque da extrema-direita, levantando incertezas quanto ao futuro do panorama político no país e ao equilíbrio de forças nas próximas eleições.
Já nos Estados Unidos, a abertura de uma investigação envolvendo a liderança da Reserva Federal gerou debate sobre transparência institucional e independência das autoridades económicas, num momento em que a política monetária continua a ser um tema central face à inflação e ao abrandamento económico.
A preparação de encontros multilaterais, como o Fórum Económico Mundial, surgem como tentativa de promover diálogo num contexto de crescente incerteza global.
Esta semana confirmou, assim, uma tendência de interligação entre política interna e dinâmica internacional ressaltando a ideia de que decisões tomadas além-fronteiras tem impacto direto na governação e na estabilidade dos Estados nos próximos meses.
Iris Almeida