Em Portugal, investigações judiciais, polémicas na campanha presidencial e decisões laborais reacenderam o debate público. No plano internacional, a guerra na Ucrânia e a tensão entre Estados Unidos e Venezuela mantiveram-se em destaque.
No plano nacional, o Ministério Público abriu uma investigação a ajustes diretos realizados na Marinha Portuguesa, envolvendo 57 contratos com a empresa Proskipper, alegadamente aprovados pelo então comandante naval Henrique Gouveia e Melo, atualmente candidato à Presidência da República. Os contratos, assinados entre 2017 e 2022, terão sido alvo de análise do Tribunal de Contas, que perdoou eventuais infrações financeiras, mas o processo está agora no Departamento de Investigação e Ação Penal de Almada. Gouveia e Melo afirma estar “totalmente tranquilo”, sublinhando transparência e questionando o momento da divulgação da notícia.
Ainda no contexto eleitoral, a Comissão Nacional de Eleições esclareceu que os boletins de voto das presidenciais de 18 de janeiro vão incluir 14 nomes, embora apenas 11 candidaturas sejam válidas. As três candidaturas rejeitadas pelo Tribunal Constitucional permanecem nos boletins para garantir o exercício de voto antecipado por eleitores reclusos, internados ou residentes no estrangeiro, assegurando o direito de voto destes cidadãos.
Mantém-se também em destaque a polémica em torno dos cartazes do Chega. Após a ordem judicial para retirar cartazes dirigidos à comunidade cigana, André Ventura apresentou uma nova versão onde se lê “as minorias do costume têm de cumprir a lei”. O líder do partido afirma aguardar a decisão do Tribunal Constitucional e considera que a eventual retirada destes novos cartazes representaria um sinal de “degradação política”, mantendo o debate aceso em torno dos limites entre liberdade de expressão e discurso discriminatório.
No campo socioeconómico, entrou em vigor o aumento do salário mínimo nacional para 920 euros. A medida resulta do acordo de concertação social estabelecido em outubro de 2024, que prevê aumentos graduais até atingir 1.020 euros em 2028, embora o Governo tenha posteriormente apontado para uma meta de 1.100 euros em 2029. A atualização gera impactos diretos nas condições laborais, mas também nos contratos públicos de prestação de serviços, com reflexos no seu equilíbrio financeiro.
No plano internacional, a guerra na Ucrânia continua a evoluir. De acordo com análises militares recentes, a Rússia controla atualmente cerca de 19,69% do território ucraniano, incluindo a Crimeia, com elevados níveis de ocupação em Lugansk, Donetsk, Zaporizhia e Kherson. Ao mesmo tempo, discutem-se cenários políticos internos na Ucrânia, incluindo o papel de figuras como Zaluzhny e Budanov, num contexto em que as sondagens apontam para disputas eleitorais futuras.
Prosseguem também trocas de acusações entre Moscovo, Kiev e Washington. A CIA afirmou não existirem indícios de que a Ucrânia tenha atacado diretamente uma residência de Vladimir Putin, contrariando a versão russa. Paralelamente, Zelensky afirmou que um acordo de paz estará “90% concluído”, embora sublinhe que os 10% restantes concentram as questões decisivas, nomeadamente garantias de segurança e o estatuto dos territórios ocupados, recusando uma paz “a qualquer preço”.
Registaram-se ainda novos episódios de tensão na América Latina, com relatos de intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e captura de Nicolas Maduro e da sua mulher, situação que motivou recomendações oficiais para que comunidades estrangeiras permanecessem em segurança.
Beatriz Peixoto