“Nós precisamos do toque de quem amamos quase tanto quanto de ar para respirar”, esta é a frase do filme “Five Feet Apart”, uma frase que nos faz refletir sobre o toque humano e a necessidade que sentimos do mesmo.
Cada vez mais as relações humanas são feitas virtualmente através das redes sociais, a maioria dos adolescentes já não se importa realmente com o toque humano, mas é no toque, nos olhares e nas conversas reais que percebemos que ainda somos nós próprios. Contudo, é quando nos afastamos fisicamente uns dos outros que cresce uma certa sensação de vazio que é muito dificilmente preenchida por ecrãs.
E então surge a verdadeira questão: quando foi a última vez que nos permitimos sentir, de verdade, a presença de alguém? Talvez seja este o momento de parar e refletir, de perceber que, por detrás das notificações constantes, existe a real necessidade do toque, do abraço e de podermos tocar e sermos tocados, não apenas fisicamente, mas com a alma. Às vezes acreditamos que estamos mais ligados do que nunca; será que estamos mesmo? A verdade é que o toque humano tem uma linguagem própria e transmite emoções e sentimentos que não podem ser ditos no papel.
Um abraço pode acalmar um coração desesperado, um simples toque na mão pode-nos dar força e esperança para continuar, mesmo que por vezes seja difícil. Por isso mesmo, devemos apreciar o que é simples, porque, no fundo, é nos pequenos gestos que encontramos a nossa humanidade.
O que acontece é que, quando nos afastamos, é que percebemos o valor de alguém estar presente; é no silêncio do nosso quarto e na falta de uma conversa “cara a cara”, onde vemos os sentimentos da outra pessoa e a sua expressão, que sentimos falta daquilo que um toque poderia resolver em segundos. É nesses momentos que nos perguntamos se realmente estamos a viver as relações ou apenas a assistir através de um vidro que não substitui o calor humano.
O toque humano não é apenas físico, mas também emocional, carrega memórias, cura feridas invisíveis e reconstrói partes de nós que achávamos que estavam perdidas. Talvez a verdadeira ligação não esteja na internet que nos une ao resto do mundo, mas no toque que nos devolve a nós mesmos, e cabe a cada um decidir quando quer voltar a sentir verdadeiramente a vida a acontecer na ponta dos dedos.
Há certas alturas em que me questiono, se o mundo onde vivemos ainda continua a ser real, se ainda se sente a necessidade de conviver com os outros ou se é apenas um quadro em branco sem uma história para contar.
Em certos momentos sinto frio, mas não é por causa do vento e sim por falta de calor humano. De certo modo o mundo anda a perder a cor, antes as casas que eram coloridas agora têm cores monótonas, como o preto, o branco e o cinza e elas não me dizem nada, são enfadonhas e sem qualquer emoção. As crianças que antes brincavam na rua, agora preferem estar em frente a um ecrã, já não ouvimos os sons dos risos estridentes, mas sim dos dedos a teclar num telemóvel e é nesses pequenos momentos que a maior parte pensa serem insignificantes que eu percebo que o mundo está a tornar-se cada vez mais mecânico.
Lembro-me do cheiro a canela que sentia quando entrava na cozinha da minha avó na época do Natal, da lareira acesa, do sentimento de pertença e sobretudo de todo o carinho que me rodeava. Agora tudo o que vejo é uma casa vazia, os filhos perderam os pais, os netos os avós e no final acabamos por nos perder uns aos outros, porque quando o toque principal falta os restantes acabam por perder o sentido. Como muitas vezes me disseram e continuam a dizer, “Tudo tem o seu fim”, só não esperava que o fim chegasse tão depressa.
Por estas razões o toque humano é tão importante, pois é só quando o perdemos que damos o verdadeiro valor e perder alguém que amamos por vezes é o choque de realidade que precisamos. Devemos dar valor às pessoas enquanto elas estão aqui, porque a tecnologia pode estar sempre connosco, mas não é ela que nos consola quando estamos mal ou quando temos medo de algo e sim o toque humano e principalmente o toque de quem amamos.
Mariana Borges