Empate num jogo em que o futebol ganhou por goleada: Boavista FC 3 – 3 GD Chaves
O GD Chaves deslocou-se ao terreno do Boavista FC e empatou a três golos num jogo impróprio para cardíacos, a contar para a 30ª jornada da Liga NOS. Um jogo repleto de bom futebol, intensidade, emoção até ao fim, ataques sucessivos de parte a parte e, claro, com muitos golos. Reuniram-se no Bessa todos os ingredientes para um jogo espetacular e tudo graças a duas equipas que quiseram sempre jogar a um ritmo elevado e que acabaram por brindar os adeptos com um dos melhores jogos deste campeonato. Assim, o resultado só podia ser um teimoso empate, um ponto para cada equipa, mas o futebol esse sim foi o grande vencedor da noite.
Axadrezados e flavienses partiam para o jogo com momentos de forma semelhantes, ambos com 37 pontos na tabela e com um passado recente marcado por resultados negativos. O objetivo principal também era comum aos dois emblemas: voltar a vencer.
Quanto às escolhas iniciais dos treinadores, Jorge Simão trouxe alterações profundas no onze para esta partida. Comparativamente ao seu último onze levou a cabo um total de seis mudanças com o intuito de voltar às vitórias. O desenho tático escolhido foi um 4-2-3-1 bastante flexível. Com os centrais Rossi (castigado) e Henrique (lesionado) impedidos de jogar, o eixo central foi constituído por Sparagna e Robson. A suspensão de Idris, levou o treinador dos axadrezados a lançar Rochinha como jogador de ligação entre o meio campo e o ataque e deixou o duplo pivô entregue a David Simão e Fábio Espinho. Entraram ainda para o onze Yusupha, Carraça e Mateus, relegando Leonardo Ruiz, Vítor Bruno e Tiago Mesquita para o banco de suplentes. Já Luís Castro, em relação ao último jogo dos transmontanos, sentou Perdigão e devolveu a titularidade ao regressado, após lesão e habitual dono da lateral esquerda, Djavan. Com isto Davidson subiu no terreno e voltou à sua posição natural de extremo esquerdo. De resto, o técnico dos flavienses escolheu o onze que mais confiança lhe tem dado ao longo desta temporada, assente no habitual 4-3-3.
Deu-se o apito inicial e desde cedo transpareceram as intenções de cada uma das equipas, os locais estavam mais expectantes e sempre que recuperavam a bola tentavam sair rapidamente para o ataque. Pelo contrário, os valentes transmontanos tratavam de construir e circular com paciência e segurança. A iniciativa com bola, nestes primeiros minutos, era totalmente dos pupilos de Luís Castro, e numa dessas jogadas o GD Chaves saiu a jogar desde a sua defesa, rodou a bola de um corredor para o outro, até que esta chegou aos pés de Davidson. O extremo brasileiro conduziu de forma incisiva da esquerda para dentro, pisou a área e rematou em arco para o poste mais longo, sem hipóteses para Vágner. Ao minuto 11 estava feito o 0 - 1, início de sonho para os transmontanos.
Com o golo madrugador, os flavienses relaxaram e permitiram a resposta do Boavista, que ia aproximando-se cada vez mais da área adversária. Os axadrezados subiam no terreno, pressionavam mais em cima e os lances de perigo sucediam-se (min.13 e min.16). Ainda assim, a “asa” direita do GD Chaves mostrava-se bem engrenada e Paulinho, Tiba e Matheus Pereira iam criando jogadas de grande envolvência e deixavam avisos constantes. À passagem do minuto 20 chegou a primeira grande oportunidade do Boavista, slalom fenomenal de Rochinha desde o seu meio campo defensivo e só parou quando invadiu a área flaviense e atirou com estrondo ao poste. A equipa de Jorge Simão ameaçava, mas ao minuto 24 empatou mesmo a partida. Livre cobrado rapidamente na direção de Carraça, este não hesitou e desferiu um remate potente de fora da área ao qual António Filipe ainda se opôs, mas a bola acabou mesmo por entrar caprichosamente na baliza, infelicidade para o guarda redes transmontano. Este golo propiciou um crescimento mais acentuado do Boavista e um dos maiores culpados era Rochinha que queimava linhas e conduzia todas as transições a alta velocidade. Já depois da meia hora, Esparagna, com um corte decisivo, evitou que Bressan ficasse cara a cara com Vágner. No lance seguinte, mas na área contrária, António Filipe redimiu-se e foi enorme ao travar o remate de Mateus no um para um, depois Rochinha foi demasiado altruísta dentro da área e desperdiçou um passe geométrico de Fábio Espinho (min.36). O jogo estava aberto, nenhuma das formações se contentava com o empate e ambas impunham um ritmo alto na partida.
Neste período do jogo, os “panteras negras” praticavam um futebol mais objetivo e vertical, já os valentes transmontanos iam desaparecendo da partida e pediam o intervalo para reajustar a abordagem ao jogo. No entanto, o Boavista tinha outros planos e acabou por consumar a reviravolta aos 42 minutos, grande trabalho de Rochinha (sempre ele!) na esquerda, a desenvencilhar-se do seu marcador direto, ganhou a linha de fundo e cruzou rasteiro para o segundo poste, local onde apareceu Renato Santos de rompante para pôr o Boavista a vencer por 2-1 ao intervalo.
Bela primeira parte no Bessa cheia de dinamismo e ação, a entrada forte do GD Chaves surpreendeu os locais, mas com o passar dos minutos emergiu um Boavista cheio de personalidade que acabou por se superiorizar aos transmontanos, tanto a nível de exibição como no marcador.
A partida foi reatada e a fasquia do primeiro tempo estava alta. No entanto, os segundos 45 minutos começaram de forma frenética e as aproximações às balizas adversárias sucediam-se de um lado e do outro (min. 46 e 52). Luís Castro não esperou mais e fez uma substituição já habitual, retirou Jefferson, médio de cariz mais defensivo e colocou no seu lugar o internacional sub-21, Stephen Eustáquio. Com esta troca, o técnico transmontano pretendia ter mais capacidade com bola e melhor construção a partir de trás. No entanto, a intensidade posta no relvado continuava desenfreada em ambos os lados. Aos 58 minutos Rochinha fugiu pela esquerda e atirou para a defesa, com ajuda do poste, do guardião flaviense e aos 63 minutos foi a vez do Chaves causar perigo, arrancada do lateral Paulinho, cruzamento atrasado e Davidson a rematar na direção certa, mas a bola embate em Tiba e perde-se o lance de golo eminente. O lateral flaviense foi uma constante durante todo o jogo, grande disponibilidade física e a oferecer muita profundidade no seu corredor.
A partir da hora de jogo, o Boavista estava em vantagem no marcador e assumiu uma postura mais especulativa e pragmática. O jogo parava mais vezes, o cansaço começava a sentir-se e os jogadores recorriam a faltas sistemáticas para travar os ataques rápidos de ambos os emblemas.
Jorge Simão lançou a sua primeira cartada, retirando Yousupha que passou completamente ao lado do jogo e colocando um avançado de características diferentes, Rui Pedro. Os flavienses tentavam reentrar na partida, mas de maneira algo tímida (min.70 e 73). Os bancos iam mexendo de forma sucessiva, no Boavista saiu Rochinha, totalmente esgotado, debaixo de uma grande ovação devido à sua grande exibição. Para o seu lugar entrou Tahar para refrescar e “espicaçar” o ataque procurando as transições rápidas. Já Luís Castro assumiu o risco, retirou Djavan, baixou Davidson no terreno e lançou Perdigão para agitar o ataque. O GD Chaves crescia e mostrava que podia fazer mossa, mas o Boavista tentava gerir com um bloco mais baixo e não se expunha em demasia.
Sem nada o fazer prever, os axadrezados alargaram a vantagem para 3-1. Grande lance do recém-entrado Tahar que se virou com inteligência e partiu para cima da defesa flaviense, Renato Santos fez a diagonal, recebeu a bola e finalizou com qualidade. Aos 77 minutos, o Boavista parecia ter matado o jogo, mas nada mais longe da realidade. No minuto seguinte, foi lançado o tudo por tudo dos transmontanos: saída de Tiba e entrada do avançado Platiny. O GD Chaves apresentava-se agora em 4-4-2 com duas referências na frente de ataque. Resposta imediata e melhor seria impossível, o Chaves faz o 3-2 ainda antes dos 80 minutos. Jogo relançado graças ao “petardo” de Stephen Eustáquio que se estreou a faturar na Liga. A formação de Luís Castro assediava a área local para chegar ao empate, até que aos 88 minutos, numa combinação magistral ao primeiro toque entre Bressan e William, o internacional bielorrusso atirou para defesa incompleta de Vágner e apareceu Platiny para “caçar” a bola perdida e resgatar um ponto para os valentes transmontanos. Jogo de loucos que culminou num excelente espetáculo de futebol.
Com este desfecho, o Boavista e o Chaves mantêm o 7.º e 8.º lugar, respetivamente, somando ambos 38 pontos. Nenhuma das equipas conseguiu quebrar o seu ciclo pessoal sem vencer, mas ambas continuam a fazer um campeonato tranquilo e com opções ainda de ficar em posições mais altas na tabela classificativa.
Onze inicial e suplentes utilizados do Boavista FC:

Onze inicial e suplentes utilizados do GD Chaves:

(LineupBuilder)
Homem do Jogo: Rochinha (Boavista FC) – Grande exibição do irrequieto “16” dos axadrezados, fez a diferença no espaço entre linhas e nas suas incursões pela faixa esquerda. “Esbanjou” qualidade técnica e sempre a uma velocidade estonteante, Renato Santos fez dois golos, mas Rochinha foi o grande “quebra-cabeças” que rompeu com a organização defensiva flaviense. Uma assistência, duas bolas ao poste e ficaram ainda na retina vários lances de uma execução fenomenal. Ovação da noite merecidíssima.
Equipa de arbitragem: Árbitro Manuel Mota, Assistentes Jorge Fernandes e Jorge Oliveira, 4º árbitro Humberto Teixeira, VAR João Capela e AVAR Nélson Moniz.
Número de espectadores: 4215
Golos: Davidson 0-1 (min.11), Carraça 1-1 (min. 24), Renato Santos 1-2 (min. 42), Renato Santos 3-1 (min. 77), Stephen Eustáquio 3-2 (min. 79), Platiny 3-3 (min. 88).
Cartão amarelo a Paulinho (min. 14), Domingos Duarte (min. 27), Carraça (min. 54), Sparagna (min. 65), Renato Santos (min.67), David Simão (min. 79).
Estádio do Bessa Séc. XXI – Jornada 30 Liga NOS
Xavier Costa
Fotografias: Catarina Morais/ Kapta +