Para cá do Marão, Bas Dost é mandão: GD Chaves 1 – 2 Sporting CP

A 26.ª jornada da Liga NOS trouxe o Sporting CP ao Estádio Municipal de Chaves e o embate ficou marcado pelo equilíbrio e dificuldade, de parte a parte, em desbloquear o nulo no marcador. No entanto, os três pontos foram mesmo para a capital. O Sporting venceu por 1-2 muito graças à entrada em cena de Bas Dost, mais uma vez decisivo para os leões. O holandês bisou, não faltando assim à sua cita habitual com a sua vítima preferida (10 golos em cinco jogos contra o GD Chaves), e garantiu a vitória dos leões num terreno complicado.

Ambos os treinadores foram obrigados a fazer alterações nas suas “peças” habituais, Luís Castro manteve o seu 4-3-3 habitual, mas não pôde contar com o central Domingos Duarte e com Matheus Pereira (ambos jogadores emprestados pelo Sporting), tendo lançado nos seus lugares Nuno André Coelho e Perdigão. Do outro lado, Jorge Jesus, para além das suspensões de Acuña e Bruno Fernandes, teve que deixar de fora vários jogadores por lesão, entre eles: Piccini, Doumbia, André Pinto, Coentrão e Rafael Leão. Desta feita, o treinador dos leões estabeleceu várias mudanças no onze: entregou as laterais a Bruno César e Battaglia, Rúben Ribeiro foi o extremo esquerdo e Misic fez a sua estreia a titular. A boa notícia para os leões foi o regresso após lesão de Bas Dost, que começou o jogo no banco.

Estava tudo pronto para o início da partida, o relvado apresentava boas condições e as bancadas estavam bem compostas, mas não havia casa cheia no Estádio Municipal de Chaves, o horário não era convidativo (19h) principalmente num dia de semana.

O jogo iniciou-se com uma toada morna, as duas equipas apresentavam-se bem organizadas e tentavam circular com pausa e critério. O primeiro remate da partida surgiu aos seis minutos através de Davidson, num dos seus movimentos característicos fletiu da esquerda para dentro, mas o remate saiu desenquadrado. Os Valentes Transmontanos deixavam os centrais adversários sair a jogar à vontade numa primeira fase, mas rapidamente ativavam a pressão e tentavam condicionar a saída de bola do Sporting. O GD Chaves, ao nível da construção de jogo, não abdicou das suas principais ideias de jogo, tentava sair a jogar curto sempre que possível e Jefferson recuava para o meio dos centrais de forma a construir a três, oferecendo mais segurança à posse de bola.

Ainda o jogo estava muito frio quando, de repente, uma bola perdida na área leonina caiu nos pés de William e o avançado flaviense não conseguiu finalizar graças à rápida mancha de Rui Patrício, estava dado o primeiro sinal de perigo eminente. Pouco depois (min.13), Bruno César teve que sair da partida, aumentando assim o número de lesões que assola o plantel de Jorge Jesus. Para o seu lugar entrou o ex-Portimonense Lumor. O jogo arrastava-se até à meia hora e poucos eram os destaques, Gelson era sem dúvida o mais inconformado na formação leonina, o talentoso extremo movia-se livremente por toda a frente de ataque para se associar e criar desequilíbrios, mas sem efeitos práticos. Nos locais, a “asa” esquerda flaviense mostrava-se muito ativa e bem engrenada pois grande parte dos ataques eram canalizados por essa zona com Djavan e Davidson em bom plano. Ao minuto 31, Nuno A. Coelho abordou mal uma bola aérea que Montero e Rúben Ribeiro aproveitaram para “desenhar” uma boa jogada já no interior da área, mas Gelson não conseguiu materializar e o guardião Ricardo foi rápido a sair de entre os postes.

O árbitro Hugo Miguel deu por terminada uma primeira parte pouco entusiasmante, marcada pelo equilíbrio e pelo ritmo de jogo lento apresentado de ambos lados. O marcador registava o nulo, um empate justo visto que nenhuma das equipas se superiorizou e houve somente uma oportunidade flagrante para cada equipa. Os flavienses mostravam-se muito organizados e disciplinados, tinham as linhas sempre juntas e ocupavam os espaços de forma eficaz para condicionar a circulação do Sporting. A turma de Luís Castro sempre que possível tentava sair em transição rápida, nota de destaque ainda para Tiba e Bressan que trabalhavam muito no miolo, mas também para a disponibilidade do avançado William. Do outro lado estava uma equipa de Alvalade com poucas ideias e com uma posse de bola lenta, previsível e marcada também por várias imprecisões ao nível do passe.

Esperava-se então uma segunda parte com mais qualidade e com mais futebol para aquecer as frias bancadas do Municipal de Chaves. Os derradeiros 45 minutos começaram sem alterações em ambas as formações.

O GD Chaves jogava muito pelas faixas laterais e ganhava bem a linha final, mas os cruzamentos “passeavam-se” pela área leonina e não encontravam um destinatário. O Sporting tentava responder, mas sentia muitas dificuldades para entrar no bloco adversário e para criar jogo interior, Montero estava demasiado sozinho e desapoiado na frente de ataque. Aos 54 minutos, os transmontanos voltaram a criar perigo. Canto batido e a bola a sobrar para Nuno A. Coelho, o qual desferiu um remate potente que obrigou Rui Patrício a aplicar-se e a defender para novo canto. No minuto seguinte, insatisfeito com o rendimento da equipa, Jorge Jesus fez uma substituição: saiu o médio Misic, fez um jogo pouco vistoso e limitou-se a jogar simples nesta sua estreia a titular, para a entrada do homem-golo dos leões, Bas Dost. Esta alteração despoletou uma mudança de figurino na equipa verde e branca, Bryan Ruiz e William tinham o papel de segurar o meio campo e de construir com critério e agora Montero contava com um parceiro no ataque.

A partir desta mudança o jogo entrou numa fase diferente, o Sporting superiorizou-se e melhorou a olhos vistos. Minutos depois, a turma de Alvalade já mostrava mais envolvimento ofensivo e Dost ameaçou e cabeceou fraco e ao lado. Mas à passagem da hora de jogo, Bas Dost não perdoou e faturou mesmo. Rúben Ribeiro captou com classe uma bola difícil de Coates e partiu para cima do lateral flaviense Paulinho, trocou-lhe as voltas e endossou uma bola bombeada para o segundo poste, sítio onde “morava” o gigante holandês que se elevou mais que todos e colocou o Sporting na frente. Escassos minutos em campo de Bas Dost e a equipa mostrava outra cara. Depois do 0-1, os verdes e brancos continuaram a carregar e a equipa de Luís Castro não conseguia suster o vendaval ofensivo dos visitantes. Multiplicavam-se os lances de perigo para a baliza de Ricardo, mas Bryan (min.63), Battaglia (min.65) e Coates (min.66) não conseguiram concretizar e aumentar a vantagem no marcador. A entrada de Bas Dost trouxe o jogo interior que estava a faltar, os seus apoios frontais e tabelas dentro do bloco flaviense originaram minutos aflitivos para o GD Chaves. Para além disso, Bryan Ruiz subiu muito de rendimento ao jogar mais recuado e por dentro e os laterais conseguiam oferecer mais profundidade ao ataque.

Luís Castro queria mudar o rumo dos acontecimentos e para isso assumiu o risco aos 70 minutos e tirou Jefferson, colocando Jorginho nas costas de William (Tiba assumiu a posição “seis”). Os Valentes Transmontanos jogavam agora com uma defesa mais subida e com mais jogadores ofensivos, mas também estavam mais expostos aos ataques leoninos. O Sporting começou a esfriar o seu ímpeto ofensivo e quis gerir os esforços e o jogo em si. Perto dos 80 minutos, Jorge Jesus jogou a sua última cartada e retirou Montero para colocar Palhinha de maneira a “guardar” os importantes três pontos.

Logo de seguida, os flavienses tiveram uma oportunidade soberana para empatar a partida. Desatenção defensiva no controlo da profundidade e Davidson cara-a-cara com Patrício tirou-o do caminho e atirou a contar para a baliza, mas estava lá Battaglia para tirar em cima da linha e segurar a vantagem leonina. A ineficácia flaviense estava a ser cada vez mais penalizadora. O comandante transmontano refrescou o ataque com a entrada de Platiny e o jogo partiu-se, a bola aproximava-se das imediações de ambas as áreas em poucos minutos. Bryan (min.81) e Mathieu (min.83) ainda ameaçaram, mas Ricardo levou a melhor. Na outra metade do terreno, o GD Chaves atacava sucessivamente pela direita agora e Lumor sentia grandes dificuldades, no entanto, os cruzamentos eram pouco precisos. A turma flaviense subia no terreno, mas o último passe não estava a sair. Numa altura em que o Sporting estava mais retraído e faltavam cinco minutos para os noventa, Platiny perdeu a bola de forma infantil muito perto da sua área, mérito também para a pressão de Battaglia (decisivo nos últimos minutos). O argentino, frente-a-frente com o guardião, preferiu tocar para o lado e oferecer o golo a Bas Dost. 0-2 e o jogo parecia morto e favorável para a comitiva leonina. Porém os Valentes Transmontanos não se entregaram e continuaram no forcing final. Nos minutos seguintes, William teve mais uma chance para bater o guarda-redes campeão europeu, rodou bem dentro da área, mas Rui Patrício segurou mais uma vez. Já a partida se encaminhava para o fim quando Hugo Miguel assinala penalty a favor do GD Chaves. Platiny redimiu-se do erro anterior e bateu de forma exemplar a grande penalidade e reduziu a diferença no marcador. Os flavienses ainda tentaram chegar ao empate, com mais coração que cabeça, mas o tempo escasseava e corria contra eles.

O jogo acabou mesmo assim, 1-2 para o Sporting e ficou na retina uma segunda parte bem mais agradável do que a primeira. Uma vitória leonina em que Bas Dost foi mais uma vez o “carrasco” dos transmontanos. A turma de Alvalade já não vencia em Chaves desde 1995, terreno hostil para o emblema leonino, mas não para o gigante holandês.

Com este desfecho, o GD Chaves soma duas derrotas seguidas e desce para o sétimo lugar, sendo ultrapassado pelo Boavista. Já o Sporting CP aproveitou o deslize do FC Porto na Mata Real e reaproximou-se do líder, voltando a estar a cinco pontos de diferença.

 

Onze e suplentes utilizados do GD Chaves:

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Onze e suplentes utilizados do Sporting CP:

(LineupBuilder)

 

Equipa de arbitragem: Árbitro Hugo Miguel, Assistentes Ricardo Santos e Nuno Roque, 4.º árbitro João Malheiro Pinto, VAR Fábio Veríssimo e AVAR Paulo Brás.

Número de espectadores: 3208

Golos: Bas Dost (min. 62 e 85) e Platiny g.p (min. 90+1)

Cartão amarelo a Bryan Ruiz (min. 90+2)

Homem do Jogo: Bas Dost (Sporting CP)

 

 

Xavier Costa

Fotografias: Marcelo Martins (O Torgador)

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O Torgador

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