Luís Castro aos jornalistas no pós-jogo GD Chaves - Sporting CP: “No futebol português, o princípio que reside é o da desconfiança”

Depois da derrota em casa por 1-2 frente ao Sporting CP, o treinador dos Valentes Transmontanos respondeu às perguntas dos jornalistas presentes na conferência de imprensa. Luís Castro tocou em vários aspetos interessantes, ofereceu a sua visão sobre a partida e dissertou de forma crítica sobre a atual situação do futebol português. Uma conferência de imprensa que promete fazer correr muita tinta nos próximos dias e sobre a qual vale a pena ler.

Primeiramente questionado sobre os noventa minutos em que o GD Chaves e o Sporting CP se enfrentaram, o comandante dos flavienses “abriu o jogo” e falou sobre a estratégia definida para este jogo: “temos que tentar adivinhar o que o treinador adversário pretende para a partida, eu pensei que o Sporting ia entrar forte e queria que nós estivéssemos à altura, nós queríamos entrar também fortes”. Porém, admitiu de seguida que: “não vi esse Sporting, vi uma equipa a tentar controlar os espaços e com respeito pelo Chaves e essa entrada menos intensa do Sporting, tendo em conta o que eu pensava, deu-nos a supremacia do jogo nesses minutos iniciais”.

Posteriormente, Luís Castro falou sobre o decorrer do resto da partida: “durante o jogo houve alternância no domínio de jogo. Criámos algumas situações de golo durante o jogo e em relação à correspondência entre resultado e exibição acho que podíamos ter chegado a pontos, infelizmente não aconteceu.” O técnico natural de Vila Real explicou ainda as opções que tomou: “à medida que o jogo avançava, o Jorge Jesus arriscou com o segundo ponta e nós arriscamos com o Jorginho para tentar aproveitar a superioridade numérica no miolo do terreno e era importante conquistar essa superioridade para abrir alguns espaços.”

Depois de falar sobre o jogo jogado, Luís Castro foi questionado sobre a lei dos empréstimos, tendo deixado a sua opinião: “pressupõe-se que um jogador emprestado não tem condições de jogar contra o clube de origem, o que para mim é uma prova de desconfiança no ser humano e eu como confio nas pessoas, jamais aprovaria uma lei dessas.” O treinador admitiu também que tem que aceitar a decisão da Liga, mas considerou ainda que: “agora andamos cheios de desconfiança uns nos outros e para travar que se fale, impossibilita-se os jogadores de jogar”.

Luís Castro aproveitou a última questão também para extrapolar uma opinião geral sobre o estado atual do futebol português: “hoje em dia no futebol português, o princípio que reside é o da desconfiança. Nós chegamos ao ponto de se achar que se nós perdemos por 3, 4 ou 5 estamos vendidos não sei a quem, se ganhámos estamos comprados não sei por quem…”. O líder transmontano alongou-se nas críticas: “nós neste momento no futebol português deixamos de ser honestos intelectualmente, nós somos uns atores nesta peça de teatro que está montada”, com alguma ironia à mistura.

Para fechar o tema, Luís Castro afirmou que: “a forma como eu me resguardo é a treinar e a levar a minha equipa a jogo até que o futebol português queira, quando não quiser há mais um ator a ir para casa…”, mostrando-se agastado com todo o clima de suspeição que envolve o futebol português atualmente.

 

Xavier Costa

Fotografia: Marcelo Martins (O Torgador)

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