Sadinos gelam GD Chaves
Noite fria de futebol em Trás-os-Montes que ainda reservou um balde de água gélida para os locais. Num jogo disputado e bastante equilibrado que acabou com o resultado final de 2-2, o GD Chaves sofreu o empate nos descontos no jogo número 500 dos transmontanos na Primeira Liga.
Os Valentes Transmontanos chegavam a este jogo com vontade de limpar a imagem deixada na Luz e queriam regressar às vitórias. Do outro lado, este jogo marcava o “regresso à realidade” dos sadinos, depois da excelente caminhada até à final da Taça CTT. A formação de Setúbal encontra-se nos lugares mais baixos da tabela e precisa de forma urgente de somar pontos. Quanto às opções dos treinadores, o timoneiro flaviense fez regressar ao onze Matheus Pereira depois de castigo, relegando Jorginho para o banco de suplentes, voltando assim ao onze que mais garantias tem dado. Já José Couceiro optou por fazer várias alterações em relação à equipa inicial apresentada na final da taça da liga: devolveu a titularidade ao guarda-redes Cristiano e, privado de Costinha (lesionado), colocou no 11 o novo reforço dos sadinos, Yohan Tavares. Com o regresso de Gonçalo Paciência à casa-mãe (FC Porto), Edinho foi a referência ofensiva do Vitória SC.
O início da partida mostrou um Vitória com as linhas subidas e com predisposição para pressionar de forma agressiva e provocar incerteza nos portadores da bola. A pressão constante de forma a condicionar a primeira fase de construção dos flavienses deixou clara a ideia do Vitória em repetir a fórmula que lhe deu protagonismo na final da Taça CTT. O GD Chaves no seu momento defensivo resguardava-se com um bloco baixo e tentava iniciar o seu jogo com uma saída a três, onde Jefferson recuava para entre os centrais para sair a jogar de forma apoiada pela zona interior. A estratégia dos setubalenses estava bem definida e mais uma vez, Couceiro colocou Semedo entre a defesa e o meio campo e procurou sempre que a zona interior estivesse povoada, assim a equipa de Luís Castro sentiu muitas dificuldades tanto na construção, como na criação de jogo interior.
O jogo ainda estava frio, mas numa jogada rápida aos nove minutos da partida, os transmontanos conseguiram esticar o jogo em direção a Matheus Pereira. O irrequieto extremo perfilou-se para dentro, levantou a cabeça e colocou um passe interior para o “coração” da área onde estava Davidson que amorteceu com o peito para a chegada do ponta de lança flaviense. William, completamente solto, não vacilou e finalizou com classe. Jogada rápida, bonita e eficaz, o Chaves desbloqueava assim a estratégia dos sadinos e fazia o 1-0. Mas pouco durou a vantagem, três minutos depois, num lance de bola parada Jefferson toca em Vasco Fernandes dentro da área e o árbitro foi perentório a assinalar grande penalidade, após a concordância do VAR, estava confirmado o castigo máximo. Edinho, um especialista, encarregou-se de assumir o lance, o guardião António Filipe bem tentou aguentar, mas o avançado sadino não facilitou e repôs a igualdade. O Vitória estava a reagir bem e os jogadores móveis da frente de ataque estavam a fazer estragos, João Amaral deu profundidade à equipa e João Teixeira com um belo remate em arco fez António Filipe brilhar (minuto 19). O Chaves não se deixou ficar e aos 22 minutos, através de Matheus Pereira cabeceou em esforço ligeiramente ao lado.
Depois disto, o jogo voltou a uma toada mais morna. Os sadinos continuavam irrepreensíveis na sua estratégia e o GD Chaves com uma posse demasiado lenta e previsível. Começaram a suceder-se várias faltas e o jogo estava cada vez menos fluído. Nesta altura, só por Matheus Pereira é que se vislumbravam oportunidades de golo, mas mesmo essas muito tímidas (min. 32 e 40). Chegou o intervalo com igualdade no marcador, o Vitória estava sólido defensivamente e sempre que podia apostava na velocidade para atacar. Já a formação transmontana, tinha mais iniciativa e mais posse, mas com pouca acutilância, vivia demasiado das “pinceladas” de Matheus Pereira. Assim, o empate justificava-se.
Pedia-se uma reação à turma da casa e Luís Castro queria mais, mal começou a segunda metade era notório que o GD Chaves sabia o que tinha de fazer. A posse de bola começou a ser feita com mais rapidez e assertividade, os jogadores pensavam e executavam melhor. Graças a esta mudança de atitude, os flavienses começaram a criar jogadas perigosas de forma consecutiva (min. 48 e 49) e ameaçavam o golo. Os pupilos de Luís Castro beneficiaram muito da maior rapidez de execução que empregavam em cada lance e das constantes variações de flanco para retirar a bola das zonas de pressão, nesta altura o Vitória não conseguia conter esta entrada forte do Chaves. Ao minuto 50 aconteceu o inevitável, uma boa jogada coletiva a toda a largura do terreno com os mesmos intervenientes do primeiro golo: Matheus (sempre ele!) a receber na direita e a endossar a bola em Davidson no corredor oposto, este já dentro da área fez o “passe da morte” e William só teve que encostar. Os valentes transmontanos estavam bem na partida, venciam por 2-1 e dominavam porque neste início de segunda parte estavam mais imprevisíveis e objetivos.
No entanto, a equipa setubalense não se veio abaixo, pelo contrário, reagiu bem ao golo sofrido e começou a soltar-se ofensivamente e teve aproximações perigosas à baliza flaviense (minuto 53). O Chaves em mais uma jogada repentina por intermédio do endiabrado Matheus e de Davidson, ameaçou alargar a vantagem, mas Cristiano voou para uma boa defesa. José Couceiro fez a primeira substituição alterando o lateral direito, introduzindo Patrick, um jogador com mais propensão ofensiva, no entanto Luís Castro optou por refrescar e substituir os seus extremos para poder espreitar as transições rápidas. A partir da hora de jogo, sucediam-se as oportunidades para os dois lados, mas via-se um Chaves mais cauteloso e com as linhas mais juntas. Os sadinos assumiam as despesas do jogo já que corriam atrás do prejuízo e o “sururu” era constante nas imediações da área dos flavienses. Já aos 86 minutos, Couceiro esgota as substituições e faz duas de uma assentada, era o tudo por tudo para pontuar. O comandante transmontano retirou William e colocou mais um defesa central. O Vitória continuava a rondar a área, mas o desejado golo não chegava, até que aos 90+6, os sadinos foram felizes e no último lance da partida, Yohan Tavares desvia a bola em direção à baliza após um canto e faz o 2-2 final. Eram visíveis a frustração e o descontentamento tanto de jogadores como da equipa técnica do GD Chaves, contrastando com a óbvia felicidade dos setubalenses. Os valentes transmontanos tinham os 3 pontos no bolso, mas puseram-se a jeito e foram surpreendidos. Tal como o histórico transparecia, o resultado mais comum entre estas duas equipas era o empate e esta noite não foi exceção. A equipa sadina continua sem ganhar fora no campeonato e não saem da zona de despromoção, desta feita somam o seu quinto empate consecutivo na liga. Do outro lado, a equipa flaviense mantém-se na zona alta da tabela, mas falha o assalto ao sexto lugar e falha também o regresso às vitórias.
Equipa de arbitragem: António Nobre, assistido por Miguel Aguilar e Pedro Martins, com Rui Silva como quarto árbitro. Vasco Santos foi o VAR e Sérgio Jesus o AVAR.
Número de espectadores: 2076
Golos: William (min. 9 e 50) e Edinho (16), Yohan Tavares (90+6)
Cartão amarelo a João Teixeira (min. 28) e a Vasco Fernandes (min. 79)
Homem do Jogo: Matheus Pereira (GD Chaves)
Onzes iniciais e suplentes utilizados:
GD Chaves

Vitória SC

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Fotografia: Notícias ao Minuto
Xavier Costa
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