Mesmo que seja palha, temos sempre algo a dizer

No sábado passado, dia 17 de outubro, NTS e Quinta vieram até ao Teatro de Vila Real dar um Workshop de Improviso.

Adiado do dia 10 para o dia 17 de outubro por motivos de saúde, Fábio, publicamente conhecido como NTS, deu o Workshop juntamente com o seu amigo e colega Quinta.

Durante duas horas, os rappers desenvolveram atividades com os quatro participantes, de forma gradual. De palavra em palavra, o improviso foi-se tornando mais fluido, levando a frases inteiras capazes de acompanhar as batidas. “Conseguimos ver resultados, ainda que neste curto espaço de tempo”, conta Quinta em declarações ao O Torgador.

Fábio contou como o improviso floresceu nele. No autocarro, sem uma folha onde escrever e sem um telemóvel para anotar os seus pensamentos, nasceu a necessidade de memorizar as suas rimas para as escrever assim que encontrasse um papel e uma caneta. Com o tempo, deixou de sentir a necessidade de as apontar. O simples ato de rimar em pensamento era-lhe suficiente. Assim se juntaram as batidas e, mais tarde, o estúdio onde grava as suas músicas.

Ao explicar como escrevem e, principalmente, como improvisam os seus versos, a dupla explicou que nem sempre se dizem frases com nexo. Por vezes, o que têm é “palha”, como descreveram, e é a partir dessa mesma “palha” que surge algo mais profundo. Desta forma, os participantes aprenderam a aproveitar os seus pensamentos e frases sem nexo para os tornar em música, para os fazer rimar. Isto permitiu-lhes elaborar pensamentos em torno de outros pensamentos, rimas em torno de outras rimas, palavras em torno de outras palavras.

Alguns inscritos já estavam familiarizados com a música e com o improviso, enquanto outros saíram da sua zona de conforto, mas todos foram pela simples vontade de aprender e de experimentar algo novo. “As pessoas vieram, […] com uma vontade de aprender, de estar, de conviver e de fazer parte de algo”, enfatiza Fábio.

Esta sessão, assim como o anterior Workshop da segunda edição do Poetry Slam, percorreu várias faixas etárias, dos 21 aos 63 anos. Quando questionados sobre a expectativa da adesão, NTS confidencia: “[…] seis, 20, cinco mil, o número é mais para o nosso ego do que pelas pessoas”. “Nós íamos ser as mesmas pessoas se estivesse uma pessoa ou se estivessem mil”, acrescenta Quinta.

Numa experiência que definem como “incrível” e “memorável”, Quinta diz que espera “cá voltar um dia” e que, “sem dúvida”, gostariam de trazer os seus espetáculos à cidade de Vila Real.

No meio de tantos sorrisos, gargalhadas e rimas, a mensagem dos dois amigos foi bem transmitida: “Sentir as pessoas felizes é o que nos move”, partilha Quinta.

Será que nos voltamos a ver?

Irene Silva