Lula da Silva foi reeleito Presidente do Brasil, neste domingo dia 25 de outubro, ao vencer a segunda volta das eleições presidenciais contra Flávio Bolsonaro, candidato pelo Partido Liberal (PL). De acordo com os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula da Silva obteve 51,79%, correspondentes a 64.256.232 votos, já Flávio Bolsonaro obteve 48,21%, correspondentes a 59.826.041 votos.
Estas eleições ficam marcadas pela mudança da intenção de voto. De relembrar que na primeira volta das eleições, realizadas a 4 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos, contra 45,16% dos votos de Lula da Silva. Na segunda volta os brasileiros votaram pela continuidade de Lula da Silva, num processo eleitoral pela proximidade dos dois candidatos. A diferença foi de 4,43 milhões de votos, confirmando uma disputa renhida entre os dois candidatos. Desta forma Lula da Silva alcança o seu 4º mandato, tendo sido eleito em 2002, 2006, 2022 e agora em 2026.
A segunda volta das eleições demonstra a divisão do eleitorado brasileiro entre duas propostas políticas distintas. De um lado, Lula da Silva líder do Partido dos Trabalhadores, que tenta dar continuidade ao seu projeto político, enquanto Flávio Bolsonaro apresentou-se como candidato associado à direita brasileira e ao legado político do pai, Jair Bolsonaro. O resultado ganha particular relevância por ser a primeira vez que um candidato presidencial brasileiro consegue ultrapassar, na segunda volta, o adversário que tinha terminado à sua frente na votação inicial. A evolução dos resultados ao longo da noite eleitoral demonstrou a competitividade da disputa entre os dois candidatos. A vitória de Lula não elimina, contudo, a expressão eleitoral alcançada por Flávio Bolsonaro, que reuniu mais de 59 milhões de votos. O resultado demonstra a dimensão do apoio ao candidato do PL e a importância da oposição no panorama político brasileiro.
A participação dos eleitores foi outro dos aspetos relevantes nestas eleições. Segundo o TSE, mais de 128 milhões de eleitores compareceram às urnas, num universo superior a 158 milhões de pessoas habilitadas a votar. A taxa de abstenção ficou nos 19,21%, abaixo dos 21,08% registados na primeira volta. A redução da abstenção contribuiu para aumentar o número de votos contabilizados na decisão final. Apesar das dificuldades relacionadas com o transporte de eleitores e das condições meteorológicas registadas em algumas regiões, a votação permitiu determinar o vencedor da eleição presidencial.
Em Portugal os eleitores brasileiros deram a vantagem a Lula da Silva, mantendo o comportamento da primeira volta. Com a totalidade dos votos apurados, Lula da Silva foi o candidato mais votado no país, com 34.319 votos, correspondendo a 59,42% dos votos. Flávio Bolsonaro obteve 23.433 votos, correspondendo a 40,58% dos mesmos. Lula voltou a vencer no Porto e em Lisboa, já Flávio Bolsonaro venceu em Faro.
Com a reeleição confirmada, Lula prepara-se para iniciar um novo mandato a 5 de janeiro de 2027. O presidente terá pela frente o desafio de responder às expectativas dos eleitores que apoiaram a sua candidatura, num país onde a disputa eleitoral revelou uma divisão política significativa. Por outro lado, o resultado de Flávio Bolsonaro confirma a existência de uma base eleitoral expressiva para a direita brasileira, que continuará a ter um papel importante no debate político nacional. A segunda volta encerra, assim, um processo eleitoral marcado pela proximidade dos resultados e pela inversão da classificação inicial. Os brasileiros escolheram manter Lula na Presidência por mais um mandato, mas a diferença entre os dois candidatos evidencia que o país continua politicamente dividido.
Flávio Bolsonaro anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação das eleições presidenciais brasileiras, depois de ter sido derrotado por Lula da Silva na segunda volta, na qual o atual presidente obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do Partido Liberal. Flávio contesta a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, de prolongar o horário de votação em determinadas circunstâncias, alegando que a medida poderá ter comprometido a igualdade entre os eleitores. Contudo, a polémica ganha particular relevância pelo facto de a própria campanha de Flávio também ter solicitado o prolongamento da votação em algumas localidades, devido às dificuldades de deslocação provocadas pelas condições meteorológicas. O anúncio representa, para já, uma intenção de contestar judicialmente o resultado, não significando que as eleições tenham sido anuladas, uma vez que essa decisão dependerá da apreciação das autoridades competentes.
Afonso Lordelo