Racing Club x Independiente: 300 metros que separam a história

Racing Club x Independiente: 300 metros que separam a história

Joga-se este sábado um dos dérbis mais fervorosos da América do Sul, o Racing Club contra o Independiente, num jogo que se espera encher os mais de 60 mil lugares do Estádio Juan Domingo Perón.  

Naquele que é o jogo 308 deste dérbi, o Independiente esperará aumentar o número de vitórias sobre o seu eterno rival, tendo até ao dia de hoje, 110 vitórias. Do outro lado, o Racing Club, em casa, espera diminuir essa vantagem do rival, tendo apenas 93 vitórias sobre o vizinho da cidade.   

Para percebermos esta rivalidade, temos de voltar até à fundação dos clubes. O Racing é fundado em 1903, com a junção de dois clubes, o Football Club Barracas al Sud e do Colorados Unidos del Sud, ambos da cidade de Avellaneda. O clube utiliza as suas emblemáticas cores azul e branco desde 1910, ano em que sobe pela primeira vez à 1º divisão do futebol argentino, que coincidia com as celebrações do centenário da Revolução de Maio, levando o clube a homenagear o país com a mudança dos equipamentos e do emblema para essas cores. Por outro lado, o Independiente é fundado em 1905, em Monserrat, bairro histórico de Buenos Aires, mudando-se para Avellaneda em 1907, onde levaria à criação de uma rivalidade. O clube utiliza um equipamento tipicamente vermelho e branco em tributo ao Nottingham Forest, clube que atualmente milita a 1º divisão inglesa.  

O Racing e o Independiente enfrentam se oficialmente pela primeira vez em 1915 com uma vitória do clube vermelho e branco, contudo, a vitória fora retirada ao clube após uma queixa do Racing, que acusava o uso de um jogador não permitido, algo que fora confirmado e que levou à retirada da vitória e dos pontos ao Independiente. Nessa altura, o já bi-campeão argentino manteria a dominância na liga, chegando mesmo ao heptacampeonato seguido entre 1913 e 1919, recorde que se mantém até hoje no continente sul-americano. O Independiente venceria a sua primeira liga apenas em 1922.  Seria em 1931 que o Racing concretiza a sua maior goleada sobre o Independiente, vencendo o rival por 7-4. O Independiente teria a sua vingança e consequente maior goleada em 1940, quando vence o Racing por 7-0.  

A rivalidade ganha um torno para o bizarro em 1967, com o começo da “Maldição dos 7 gatos mortos”. A história conta que, após vencer a Copa Intercontinental, alguns adeptos do Independiente invadiram o El Cilindro e que, com a ajuda de uma bruxa, teriam enterrado sete gatos mortos no relvado do estádio. Diz se também que seis dos gatos teriam sido enterrados numa das balizas e o outro num local mais secreto para que a maldição durasse o máximo de tempo possível.   

O consequente a essa história leva a acreditar ainda mais nessa maldição. Nas décadas seguintes, o clube perderia rendimento dentro e fora de campo, ficando longe de vencer o campeonato por mais de 30 anos. Em 1980, o treinador Juan Carlos Lorenzo mandou cavar o relvado, num momento onde encontraram seis dos sete gatos. Para tentar inverter a maldição, chegou mesmo a enterrar sapos no local. Isto não teria o efeito desejado pois, em 1983, o clube chegaria a descer pela primeira e única vez para a 2º divisão argentina. Em 1998, chegou mesmo a fazer um exorcismo no estádio, perante um público de 15 mil adeptos. Por fim, em 2001, durante obras de reforma no estádio, diz ter sido encontrado o último gato, que traria o fim da maldição. Isto que seria “comprovado” quando, no mesmo ano, o Racing acabou com o seu jejum de 35 anos ao vencer a 1º divisão argentina.  

O Independiente na duração deste momento longo do rival, aproveitou para se elevar a nível nacional e internacional. O clube acrescentou 6 Taças Libertadores da América à sua primeira, ganha em 1964, tornando-se assim o maior vencedor da competição até hoje. Venceu ainda 2 Copas Intercontinentais e 7 campeonatos argentinos. 

 Em 2013 seria a vez dos adeptos do Racing terem a oportunidade de provocar os rivais. Aquando da despromoção, o clube azul e branco, que vencera nessa noite, desligou as luzes do estádio e deram início a um “funeral” ao rival. Os adeptos desfilaram pelas ruas de Avellaneda com uma procissão de velas e um caixão com as cores do Independiente. Dentro do caixão estava um adepto vestido de fantasma da “Série B” rodeado por um corredor de fumaça.  

Domingo mais uma página deste histórico dérbi será escrita. Mostrará o Racing Club, em casa, que o azul e branco manda em Avellaneda ou o vermelho e branco do Independiente que mostrará quem é ainda o maior campeão da América?

Autor: Rúben Fernandes
Imagem: Alejandro Mendoza