Se há algo que eu aprendi desde o início da minha licenciatura é que nós, futuros jornalistas, temos o dever e a honra de poder denunciar o que estiver mal, de dar voz a quem não o pode fazer. Aqui estou.
Tenho andado a passear os livros, mas não por opção. Vejam, acordo de manhã cedo, tomo o meu pequeno-almoço, visto-me e vou para a paragem de autocarro para ir para a universidade. Os autocarros são tão quentes, vamos demasiado juntos uns dos outros e sinto-me claustrofóbica; tudo bem, são apenas 40 minutos de viagem mais uns dez se formos a contar com o trânsito absurdo com as obras infindáveis nas estradas. Os transportes são de graça e não devíamos reclamar.
Por fim, chego à universidade. Na sala de aula, reparo que estou a ter uma cadeira demasiado idêntica à que já tive no meu primeiro ano de licenciatura. Não há nada de novo. A aula de hora e meia acaba e sinto-me vazia, frustrada e, acima de tudo, estagnada. Volto a entrar num autocarro demasiado quente e abarrotado, mais 40 minutos (sem acrescentar os restantes). Chego a casa, almoço, tento descansar um pouco, mas já está na hora de partir numa nova viagem na fornalha até ao sítio onde me sinto mais desmotivada, mais cansada. Mais uma hora e meia e nada de novo. Vazio. Frustração. Estagnação.
Este é o limite da minha esperança. Todas as manhãs tento pensar que vou em direção a algo útil, a algo que me mova; que vou encontrar algo no meu destino que justifique sair da cama tão cedo e que justifique tanto tempo em transportes abafados. Não encontro, mas tenho de continuar, porque há um sistema que regista a minha assiduidade e que me reprova se eu decidir que aquelas horas na universidade não são tão valiosas assim, que não valem o que é exigido todos os meses. Eu preciso desta licenciatura, então, que remédio o meu. Que remédio o nosso.
Então sim, eu tenho andado a passear os livros e estou cansada, estou chateada; todos deveríamos estar.
Eu quero andar para a frente, quero mais, preciso de mais. Este é o meu último ano de licenciatura, queria que fosse memorável, mas não assim.
O sistema tem de mudar. A organização tem de melhorar. Os métodos têm de ser atualizados. Caso contrário, iremos permanecer aqui; com um diploma na mão, mas sempre aqui, sem nada de muito entusiasmante, sem nada de novo.
Esta seria a minha resposta longa a um inquérito de satisfação, aquela resposta que todos têm preguiça de ler. Aqui vai a resposta mais curta:
De 1 a 10, qual a probabilidade de recomendar esta universidade a um amigo ou familiar? Resposta: 3
Qual o seu grau de satisfação global com o curso? (De 1 a 5) Resposta: 1
Irene Silva