Expresso Político – Semana de 20 a 26 de julho

Expresso Político – Semana de 20 a 26 de julho

O caso Luís Neves, a continuação da polémica dos exames nacionas, as declarações de Benjamin Netanyahu e Volodymyr Zelensky são os temas em destaque no Expresso Político desta semana.

O caso que envolve Luís Neves tem suscitado dúvidas e contradições nas últimas semanas. Em causa estarão obras realizadas num monte perto de Odemira, incluindo uma piscina, para um projeto turístico, recorrendo a um empreiteiro com quem mantinha relações anteriores. Para justificar os pagamentos, o ministro remeteu para o portal e-fatura, mas recusou apresentar recibos ou outros comprovativos. Entretanto, a Câmara de Odemira confirmou que não existia qualquer pedido de licença para as obras e que o terreno integra uma reserva agrícola e ecológica, onde a construção não seria permitida. A polémica agravou-se ainda com a descoberta de um atrelado de camião TIR na empresa do empreiteiro, alegadamente ligado a uma operação da Polícia Judiciária. Perante as suspeitas, o Ministério Público abriu um inquérito por abuso de poder e descaminho.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou que o Ministério recebeu cerca de 8.900 pedidos de reapreciação dos exames nacionais, mais 43% do que na primeira fase do ano passado. O governante atribuiu este aumento à incerteza provocada pelo processo de classificação digital e revelou que ainda persistem algumas situações por resolver, com centenas de alunos afetados por problemas nas provas ou nas classificações. Por esse motivo, o prazo para pedir a reapreciação continua aberto para os casos pendentes. O PS admite avançar com uma comissão parlamentar de inquérito ao processo de digitalização dos exames nacionais caso o ministro da Educação não preste os esclarecimentos pedidos até ao início de setembro. O anúncio foi feito pelo líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, que explicou que essa decisão só será tomada depois de concluído o processo de candidaturas ao Ensino Superior e apenas se o Governo não responder de forma satisfatória às questões colocadas pelo partido. O dirigente do PS afirmou ainda que os socialistas recorrerão a este mecanismo apenas depois de esgotados os restantes instrumentos de fiscalização parlamentar, mostrando confiança de que haverá uma maioria favorável à criação da comissão de inquérito. Além disso, o PS defende a realização de uma auditoria externa ao Ministério da Educação para apurar as falhas registadas no processo de digitalização dos exames nacionais e avaliar a atuação do ministério durante todo o processo.

Benjamin Netanyahu afirmou que a guerra “terminará quando o regime do Irão entrar em colapso”, numa entrevista à Fox News. O primeiro-ministro israelita advertiu ainda Teerão contra ataques contra Israel, seja diretamente ou através de aliados como o Hezbollah, os Houthi e o Hamas, garantindo uma resposta “muito vigorosa”. A tensão no Golfo mantém-se elevada, com risco para a navegação no Estreito de Ormuz devido a mísseis, drones e minas marítimas. Segundo a agência iraniana Tasnim, um petroleiro terá explodido após colidir com uma mina naval, numa zona estratégica já marcada por ataques a cargueiros e petroleiros. Em Washington, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse à Fox que Donald Trump está a dar margem às negociações com o Irão. Já uma fonte iraniana citada pela Reuters afirmou que Teerão manterá a suspensão dos ataques enquanto os EUA não retomarem as operações, embora prevaleça o ceticismo quanto às intenções de Washington. No Vaticano, o Papa Leão XIV voltou a apelar ao regresso das negociações e pediu uma solução política justa para o conflito, exortando todas as partes a suspenderem os ataques e a reabrirem os canais de diálogo e diplomacia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou que a Rússia lançou, apenas na última semana, cerca de 1.700 drones, mais de 1.630 bombas aéreas guiadas e 95 mísseis de vários tipos contra a Ucrânia. Segundo o chefe de Estado, mais de metade destes eram mísseis balísticos. Perante a intensificação dos ataques, Zelensky defendeu que é essencial “frustrar a aposta da Rússia no terror balístico” e garantiu que Kiev continua a trabalhar diariamente com os parceiros internacionais para assegurar que as forças ucranianas dispõem dos meios necessários para responder às ofensivas. O líder ucraniano sublinhou ainda a importância de as entregas dos sistemas de defesa antiaérea e antimíssil chegarem atempadamente, frisando que “cada míssil intercetor ajuda, literalmente, a salvar vidas” quando está disponível na Ucrânia e não armazenado nos países aliados. Zelensky terminou a mensagem agradecendo a todos os parceiros que continuam a prestar este apoio militar ao país.

Lara Sousa