Rui Tavares abandona liderança do Livre: “uma redistribuição do jogo dentro da equipa”

Rui Tavares abandona liderança do Livre: “uma redistribuição do jogo dentro da equipa”

O fundador do partido deixa o cargo de co-porta-voz após quatro anos. O seu substituto no cargo deverá ser Jorge Pinto, com eleições no próximo congresso marcado para julho.

O co-porta-voz e fundador do Partido Livre, Rui Tavares, anunciou esta sexta-feira que não se recandidatará à liderança do partido no próximo congresso, encerrando um ciclo de quatro anos à frente de uma das forças políticas que mais cresceu no panorama parlamentar português. A decisão abre portas a novas caras: a Lista A deverá avançar com o ex-candidato presidencial, Jorge Pinto, como substituto na liderança enquanto Rui Tavares descerá ao terceiro lugar no Grupo de Contacto (direção) do partido, assumindo o pelouro da estratégia, comunicação e formação.

Não é um nome que precise de apresentação. Antes de fundar o Livre em 2014, foi eurodeputado pelo Bloco de Esquerda, eleito em 2009. O partido estreou-se no parlamento em 2019 com uma deputada única, Joacine Katar Moreira, elegeu dois deputados em 2022, entre eles o próprio Rui Tavares, e nas últimas eleições legislativas atingiu o seu máximo histórico: o atual grupo parlamentar com 6 deputados, consolidando-se como a quinta força política no Parlamento.

A notícia não deixou de causar algum impacto nos meios políticos. A saída de uma figura tão central levanta naturalmente questões sobre continuidade e direção. O próprio Rui Tavares foi ao encontro dessas dúvidas, garantindo que esta saída “não significa um afastamento, significa uma redistribuição do jogo dentro da equipa e a assunção de funções e de responsabilidades que são novas, mas que não deixam de ser centrais”. Uma saída, portanto, mais de palco do que de bastidores.

O fundador do Livre defende uma mudança de caras em detrimento da dependência de uma figura única. “O campo progressista em Portugal, e o Livre em particular, vai precisar que as pessoas conheçam várias caras, conheçam várias vozes e mantenham a confiança de que há um alinhamento, em termos ideológicos, e que há uma consistência naquilo que estamos a fazer.” Admitiu que não queria que o seu afastamento do cargo se devesse a uma imposição de limites de mandatos e manifestou, internamente, que neste momento teria preferência por outras funções.

Na nova configuração da direção, Isabel Mendes Lopes manterá o cargo de co-porta-voz, desta vez a par de Jorge Pinto. A líder parlamentar surge como elemento de continuidade numa transição que se quer gradual. Por outro lado, Francisco Paupério, candidato do Livre às últimas eleições europeias e um dos nomes mais sonantes na renovação do partido, não deverá recandidatar-se a qualquer órgão da direção.

O 17.º Congresso Nacional do Livre realiza-se entre os dias 10 e 12 de julho, em Sintra, e será o momento formal de ratificação desta mudança. A mensagem de Rui Tavares é clara: não sai para desaparecer, mas para ajudar a construir o que vem a seguir.

David Silveira


Imagem: Sic Notícias